Eu LEIO e gosto de Caio Fernando Abreu

Antes de tudo, pausa: as palavras do Caio F. desnudam, acariciam, internalizam e, quando não curam, amenizam a dor…

“Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.
Algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.
A vida é tecelã imprevisível.

Guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.” – Caio F.

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Minha história “com” Pearl Jam

Em 1997, eu e mais três amigos, nos reunimos para fumar um baseado enquanto ouvíamos um vinil em comemoração ao fim do semestre.

Saímos da faculdade e fomos “degustar” o disco “emprestado” pelo irmão mais velho de um desses amigos.

Me lembro que ao perguntar para o David qual o motivo dele ter escolhido aquele disco dentre vários outros que seu irmão colecionava, ele só respondeu: “Tata (meu apelido na época), esses caras fizeram uma capa rosa de luz. É certeza que nesse vinil iremos viajar.

Pronto, para todos nós aquela capa era o significado de máximo.

E um tanto quanto diferente do usual, o álbum ainda tinha o nome TEN e seu single era a música ALIVE.

Na verdade, eu mal sabia que aquele momento marcaria minha vida “musical” pois hoje o Pearl Jam é uma de minhas bandas preferidas.

Bem, após nossa primeira audição daquele vinil, descobrimos que alguns havíamos gostado, outros não tanto.

No entanto, com persistência todas as músicas daquele disco se encrustaram em mim, e em meus amigos.

E assim meu gosto musical começou a tomar  um rumo.

Naquela época, com 17 anos de idade, eu ainda buscava meus ícones, e aquele movimento chamado de Grunge provindo de Seattle me acertou em cheio.

Oito anos depois, em Novembro de 2005, rolou o primeiro show da banda no Brasil.

Infelizmente não pude ir pois estava hospitalizada devido a uma cirurgia de emergência.

Aquele dia foi triste e especial.

Eu não realizei o sonho que atravessou minha juventude, assistir a um show do Pearl Jam, mas me livrei de um tumor.

E assim, ver um show com Eddie Vedder e os “caras”, reside no meu imaginário por muitos anos.

Mas como para tudo nessa vida, é chegada a hora.

E agora esse sonho se tornará realidade.

Em 04 de Novembro de 2011 irei riscar mais um item da minha lista “Coisas que devo fazer enquanto ainda estou viva”.

Em frente ao palco ouvirei a trilha sonora que sempre embalou minha vida.

Com a diferença que agora terei 31 anos e ao meu lado estará o homem que me faz ser a mulher mais feliz do mundo.

E é assim: nossa vida é feita de momentos surpreendentes.

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O Susto Catalisador – Por André Foresti

A vida dos seres humanos é condicionada aos próximos passos.
Não estudei a origem disso, mas os bichos não tem uma condição como propulsor da vida. Eles acordam, comem, correm por ai, procriam por instinto e se preocupam em manter-se vivos até o dia de amanhã. E só.

O ser humano funciona por objetivos que ele mesmo cria (ou a sociedade).
Perder peso. Trocar de emprego. Ter uma casa própria.
Carro do ano. Visitar a Europa. Arrumar namorada.
E outras infinitas possibilidades.
Se por um lado isso nos move, por outro acaba nos amarrando e causando a sensação de rotina e tempo perdido.

Mais um ano vai passar, o que você fez?
Valorizamos coisas condicionadas e muitas vezes esquecemos que a felicidade realmente está nos detalhes. Nas emoções de cada dia.

Fiz um trabalho sobre “universo 4×4” e o maior insight foi que o legal não era cruzar a linha de chegada, e sim colocar o carro no maior número de emboscadas e buracos possíveis. Viver aquilo.
Não existe um fim, existe o caminho.

Normalmente o ser humano se dá conta disso quando passa por um susto. Sustos como a perda de um amigo/parente querido, um revés profissional ou um fim de casamento fazem a gente acordar para a vida. Sempre há tempo.

Já que o Planejamento procura constantemente o seu papel, pensei em colocarmos no nosso job description o papel de sermos o tal “susto catalisador” dentro de um job, uma agencia e uma marca.
Pode ser interessante. Nunca é tarde para começar uma nova atitude.
Ou pelo menos uma nova visão de como as coisas já são.

Para completar esse assunto, acho incrível o depoimento de Ric Elias ao TED.

 http://www.youtube.com/watch?v=iCVhUvQft-s&feature=player_embedded

 Tem tudo a ver com uma experiência que te faz ver o quanto rasos são os seus condicionamentos e maneira como encara sua vida.

Fonte: http://www.chmkt.com.br/2011/07/o-susto-catalisador.html

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INVEJA é uma confissão de inferioridade!

 

Porque é tão difícil lidar com a felicidade alheia?

É só eu surgir empolgada com alguma notícia bacana, que vem um punhado de gente com energia ruim.

Ando cada vez mais convencida que a felicidade (e não falo apenas da minha) incomoda.

O mais engraçado é que não precisa ser um plano concreto, basta que eu mencione uma banalidade divertida e os agouradores de plantão ativam o mecanismo que despeja instantaneamente a água fria, anunciando os contras, os contras e os contras.

No final, fico me sentindo o Curupira, com os pés virados pra trás, travados de medo.

Portanto eu irei criar uma campanha: Para cada pensamento negativo que os “meus amigos” evitarem em reação a uma palavra minha, ganharão uma bala.

E não precisa torcer, não precisa achar lindo o que eu vou continuar falando, escrevendo e talz.

Vocês – “esses amigos” - só precisarão pensar em outra coisa, fingir que não me leram ou escutaram.

E embora a mediocridade não tenha cura, por favor, saiam pra lá e aproveitem para adoçarem suas respectivas bocas.

(Pé de pato bangalô três vezes!)

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A chegada de um anjo chamado: Catarina ♥

Hoje eu acordei com a mensagem da Julia dizendo que a bolsa tinha estourado e que ela estava indo para o hospital.

Daí em diante fiquei (+) louca e não parei de repetir: Anderson acorda, a Catarina tá chegando, vamos correr para o hospital, vamos amor é a nossa neném.

Anderson que só pensava em dormir mais cinco minutos tentava me intreter com a pergunta: “Ana, me fale como vc imagina que ela vai ser?”

Como ele viu que não tinha jeito, pois eu já estava (também) em trabalho de parto, acordou e foi tomar banho.

Falei com a Juju enquanto isso e, ao perceber que ela entrou no “sistema” de contrações e exercícios para o parto (o que significa que a Catarina pode nascer somente daqui, poucas ou muitas, horas), foi que eu consegui baixar a MINHA ansiedade.

Em compensação, já chorei horrores só de imaginar o rostinho da nossa pequena.

Ah, semana passada eu sonhei que ela tinha os olhos azuis como os do pai, a pele branquinha como a da mãe e os cabelos cacheados e castanhos, será?

(No meu sonho ela tinha o tamanho de um bebê de uns 8 meses, rs!)

Enfim, hoje eu só desejo que a Julia tenha um bom parto, que seja tudo o mais calmo possível (pq não consigo imaginar ser tranquilo sentir dor de parto) e que a nossa filhota venha com muita, muita saúde!

A tia aqui está super feliz e já AMA MUITO você, Catarina.

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O legado de Ana Luiza – Por Ismael Benigno

Domingo à tarde, quando chegava à funerária Almir Neves para o velório da Aninha, pude ouvir calorosos aplausos lá em cima, enquanto subia as escadas.

Perguntei a alguém o que tinha ocorrido, e um amigo contou que a Carol, mãe da Ana, tinha acabado de falar. Agradecia as orações de todos, conhecidos e desconhecidos, e aproveitava pra chamar a atenção de todos para o problema alheio.

De todas as lições que tirei da história da Ana, a solidariedade talvez tenha sido a maior. A solidariedade de gente do país inteiro, orando pela saúde de uma pequena desconhecida, mas também a solidariedade dos pais da Ana, Carol e Marcos, que mergulhados no maior dos dramas de um pai, conseguiam pensar em ajudar os outros.

No dia 26 de maio passado, numa das poucas conversas que tive com a Carol durante o tratamento, pela internet, ela me contou de várias outras famílias que conheceu em São Paulo. Crianças, pais, tios, irmãos, todos arrastados pelo câncer à capital paulista, onde tinham mais chances de tratamento e cura. Foi assim com a Ana, foi assim com dezenas de outros meninos e meninas, e é assim que vai continuar sendo.

Nos preparávamos, eu e a Carol, para tentar contar algumas dessas histórias. Ainda não sabíamos onde, se num blog, num livro, numa revista ou num jornal. Até junho passado, a contagem regressiva era primeiro pela volta deles a Manaus, com a Aninha salva. Depois que parentes e amigos fossem ao aeroporto recebê-los em festa, comecaríamos a conversar sobre os pequenos amazonenses que, em São Paulo, não tiveram a chance da Ana, de terem sua história divulgada e de contar com a torcida de tanta gente ao redor do país. Carol me contava que ela e o Marcos começavam a pensar numa forma real, prática de começar a debater o tema e propor soluções.

Brinquei com a Carol sobre ser seu criado. Os ajudaria, a ela e ao Marcos, no que fosse necessário. Com a autorização e a ajuda das famílias, tentaríamos materializar tantas histórias de sofrimento. A intenção da Carol era a de sensibilizar autoridades, mas mais importante, a sociedade amazonense, para a necessidade de um centro de referência em tratamento de câncer, aqui mesmo em Manaus.

Quis o destino que, uma semana depois daquela conversa, a doença da Ana tivesse voltado. E que domingo, um mês e um dia depois da notícia, seus amigos estivessem diante daquela porta de desembarque no aeroporto Eduardo Gomes, esperando para chorar a sua morte e abraçar seus pais.

Concordávamos que não fazia sentido que uma das cidades mais ricas do país não conseguisse fazer exames médios ou que não tivesse uma UTI pediátrica em seu hospital especializado, e que nossos pacientes precisassem esperar semanas para ter o resultado de um exame. Não é necessário dizer que no tratamento do câncer a diferença entre vida e morte quase sempre é contada em dias.

A Aninha foi enterrada anteontem, ainda é tudo muito dolorido para todos. Se eles tivessem voltado pra Manaus com ela saudável, ainda estaríamos festejando um milagre, e toda a festa do mundo não seria suficiente para comemorar sua saúde. Voltaram com ela morta, e não há tempo suficiente que vá curar a saudade. É muito cedo pra tudo.

Mas com as palavras da Carol e do Marcos diante do caixão da Aninha, eu soube que, mais do que nunca, eles desejam que o maior legado da filha, a solidariedade, ajude outras crianças a serem mais apoiadas, tanto pelos governos quanto pela sociedade.

Honestamente, depois dos últimos dez meses, não vou me importar em ser acusado de estar “politizando” a história da Ana. Outra das lições daquela menina foi a noção de perspectiva que ela me ensinou, mesmo sem querer. Com a dimensão da sua história, perdi vários medos e sublimei vários “problemas”, que depois da história dela, viraram bobagens pessoais minhas. Sei que isso ocorreu com muita gente.

Mais do que a mobilização inédita criada em São Paulo pela doação de sangue em pleno carnaval, a vida e a morte da Ana precisam ser relidas de todas as formas possíveis, como uma homenagem. O drama dela e de seus pais foi o drama de uma família que podia pagar um plano particular de saúde, que tinha familiares em São Paulo que pudessem hospedá-los, que recebeu ajuda de conhecidos e desconhecidos. Carol e Marcos têm amigos advogados, médicos e funcionários públicos. De alguma forma, sempre que precisaram, alguém tentou ajudá-los.

Essa é a exceção, e não a regra. Não é hora de começar a luta para que os amazonenses tenham melhor estrutura de tratamento do câncer. Agora é hora de chorar, sentir saudade, prestar homenagens à Aninha e apoiar sua família. Mesmo que a própria Carol já tenha “politizado” sua história, diante do corpo da própria filha, nunca estaremos inteiramente preparados para debater o aspecto público, do acompanhamento e do tratamento destes doentes, sem sermos acusados de tentar macular o governante X ou o secretário Y.

Pra mim, no entanto, a história da Ana é muito maior do que as críticas que se possa fazer ao sistema de saúde amazonense. Como também é muito maior do que a defesa automática que pessoas ligadas aos governos venham a fazer, desde cedo pedindo que não se leve a história da Ana para o lado do governo.

Não, essa história não é a da Ana. Essa é a história do pequeno Huascar, de 3 anos, que há dois anos atrás tinha apenas um mês de vida, e que hoje continua seu tratamento em São Paulo. É a história da Beatriz, de 14 anos, mesatenista que descobriu um câncer no fêmur e ficou à base de morfina, até conseguir se mudar pra São Paulo. Essa é a história de João Bosco, de 29 anos, pai de uma menina de 6 anos, que descobriu o pior tipo de leucemia e até hoje faz tratamento em São Paulo, pagando remédios de 9 mil reais, e que só poderá deixar o hospital depois de pagar a dívida.

Faz parte da herança da Ana que tomemos conhecimento dessas histórias, não porque gostamos ou não do governo. É preciso que deixemos nosso pirão diário de lado, nem tudo gira ao redor da nossa missão diária de defender ou atacar quem banca o nosso almoço. Enquanto deixamos que crianças doentes dependam do Dia Feliz de uma rede de fast-food, enquanto esperamos que meninos e meninas ganhem latas de leite como caridade de órgãos públicos, mais crianças, jovens, adultos e velhos vão continuar essa via crucis atrás de tratamentos — que temos dinheiro pra ter aqui.

É essa a solidariedade que a história da Ana deixou evidente. A solidariedade que uniu milhares de pessoas no Brasil inteiro, em oração, pela saúde dela. Com sua morte, ficamos aqui embaixo com a saudade, a tristeza, mas também com dezenas, talvez centenas de Anas à espera de ajuda.

Os exemplos que dei acima não são de pessoas pobres. Huascar é filho de uma funcionária da FCECON, Beatriz é aluna do Adalberto Vale, filha de uma professora e de um autônomo. Ana Luiza deixou uma família linda, feliz, estruturada, que podia pagar um plano de saúde e tinha muitos amigos.

Muitos outros não têm nada disso. Há várias instituições em Manaus que recebem pessoas vindas do interior, sem qualquer assistência. Pessoas que esperam 15 dias pelo resultado de uma biópsia, que sofrem queimaduras porque os aparelhos de radioterapia no Amazonas são antigos. Pessoas que não sabem, muitas vezes, a gravidade da doença que têm. Muitas morrem sem saber das chances que poderiam ter se nossa estrutura fosse melhor.

O câncer não muda, é doença grave em quem pode e em quem não pode se tratar. Você pode tomar conhecimento dessas histórias e se ofender, achar que eu as uso pra criticar quem quer que seja. Você, que quer criticar, pode achar que eu estou fazendo discurso político e quer fazer côro comigo. Nada disso muda a realidade, e a realidade é que essas pessoas existem.

Eu queria muito que a Aninha ainda estivesse aqui conosco. Sei que, assim que pudesse, ela e os pais iam tentar ajudar o Amazonas a tratar melhor as pessoas que precisam de ajuda contra o câncer.

Mas a Aninha morreu. Nós, que a amávamos e cujas vidas foram tocadas pela vida dela, ficamos aqui. Há muito o que pode ser feito para outras pessoas que sofrem com essa doença.

Naquela conversa do dia 26 de maio, enquanto criava coragem para empunhar a bandeira dos pacientes de câncer no estado, a Carol me reapresentou a um texto antigo, que eu já não lembrava mais, e que naqueles dias a ajudava a pensar mais seriamente no assunto. Era sobre os julgamentos e as possíveis críticas que ela e o Marcos receberiam, por se meterem num mundo tão cheio de verdadeiros sacerdotes a serviço do bem público, a Política:

As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.

Ame-as MESMO ASSIM.

Se você tem sucesso em suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.

Tenha sucesso MESMO ASSIM.

O bem que você faz será esquecido amanhã.

Faça o bem MESMO ASSIM.

A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.

Seja honesto MESMO ASSIM.

Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro.

Construa MESMO ASSIM.

Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.

Ajude-os MESMO ASSIM.

Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar.

Dê o que você tem de melhor MESMO ASSIM.

Veja que, no final das contas, é entre você e Deus.

Nunca foi entre você e as outras pessoas.

(Madre Tereza de Calcutá)

Há dias eu choro, todos choramos.

Mas ainda há choros que podemos ajudar a enxugar.

A Carol e Marcos são meus faróis sobre a história da vida e da morte da Aninha.

Mudou tudo. Mas no que eles precisarem, eu vou me dispor a ajudar.

Era isso.

Fonte: http://blogs.d24am.com/omalfazejo/2011/07/12/o-legado-de-ana-luiza/

 Para conhecer um pouco mais sobre a história da pequena Ana Luiza, visite o blog da sua mãe, Carol:

http://vidanormal.blogspot.com/

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“Eduardo e Mônica” – Por Rosana Caiado Ferreira

Em contrapartida ao filme publicitário (Eduardo e Monica – O Filme),  lançado pela VIVO, esse texto é bem bacana.

Vejam o vídeo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=gJkThB_pxpw

“Eduardo e Mônica” – Por Rosana Caiado Ferreira

Mônica já tinha ameaçado duas vezes, mas Eduardo não tinha levado a sério.

Na terceira, falou manso, às oito da manhã, e Eduardo percebeu que era pra valer.

Saiu de casa antes do almoço, com a roupa do corpo – calça jeans e camiseta de malha.

Deixou o utilitário, os gêmeos, a segunda das três parcelas da geladeira que cospe gelo e uma dúzia de fotos da última viagem rasgadas ao meio sobre os lençóis de fios de seda, enquanto Mônica penteava o cabelo diante do reflexo que o espelho do banheiro demoraria a esquecer – Mônica escovando os dentes de Eduardo, Eduardo beijando Mônica com pasta, Mônica dando gargalhadas de olhar para o teto, as crianças batendo na porta.

Embora Mônica tivesse tomado as rédeas do fim, o desejo da separação era compartilhado.

Mas Eduardo não podia imaginar que nem sua mãe, nem seu melhor amigo, nem sua mulher (ex), não fosse segurá-lo pelo braço e dizer “Não pode! Já pro castigo!”

Uma espiral no peito de Mônica doeu como se alguém tivesse aberto o ralo do amor.

Caiu um temporal que lavou os muros da casa que nunca mais será a mesma, ainda que as janelas, as panelas e os tapetes se mantenham iguais – perderam o sentido.

Sofrer uma separação é viver todas outra vez.

Mônica passou um barbante pelas pilhas de fotos separadas por temas (México, Fernando de Noronha, Jeri, aniversários, outras) e colocou dentro de uma caixa, junto com os cartões de aniversário e a aliança de ouro branco – Eduardo tirou a dele assim que soube que Mônica estava sem a dela.

Subiu a escada de alumínio e empurrou a caixa na parte de cima do armário, no fundo – esconderijo preferido do passado.

Demorou dois degraus para entender que as lembranças independem de provas e, como os gêmeos estavam na natação, se permitiu algumas lágrimas sentada ao pé da escada de alumínio, pela certeza de já ter vivido o grande amor de sua vida.

A partir de então seriam apenas histórias circunstanciais, sem a entrega a que havia se acostumado.

Eduardo explicava para Mônica coisas sobre o amor, a saudade, a família e o final feliz.

“Então, vamos namorar?”

E Mônica riu e quis saber se ele estava pedindo anestesia.

“Por favor”.

Ela preferiu experimentar a dor de uma só vez, como se fosse esse o jeito mais rápido de convalescer.

Eduardo foi para uma festa que durou quatro meses.

Tomou drogas de diversas cores, álcoois de preços variados e teve pesadelos de acordar suado – sonhava que tinha levado um caldo e não conseguia puxar ar.

A cada porre, chamava por Mônica, ora com a cabeça enterrada na mesa, ora com a boca cerrada contra o telefone celular.

Algumas vezes, com a língua enfiada em uma orelha qualquer.

E seu corpo, que já tinha tremido de paixão e ansiedade, então tremia de raiva, sentimento próprio dos apaixonados.

Quando Eduardo passou em casa para buscar alguns de seus pertences, sua barba estava cheia e as crianças, nas aulinhas de inglês.

Eduardo e Mônica fizeram no sofá da sala o sexo mais triste de que se tem notícia.

Eduardo gozou e disse “eu te amo”. Mônica chorou, mas secou depressa a lágrima em uma almofada.

E os dois se despediram com pesar, telefonaram para os amigos, tomaram comprimidos e pediram clemência ao mesmo tempo, mas não ficaram sabendo.

Eduardo abria os olhos, mas não queria se levantar.

Passava a mão no lado direito da cama para ver se Mônica estava lá.

Eduardo fantasiava que ela chegaria no meio da noite, se enfiaria debaixo dos lençóis e daria um beijo de bom-dia, que significaria que ela tinha voltado para ficar.

Mônica fingia que estava tudo bem, enquanto diluía a dor no banheiro e dava descarga.

Emagreceu cinco quilos e perdeu as roupas que Eduardo tinha lhe dado de presente – uma das tentativas silenciosas e inofensivas de se manter perto dele.

Chegava em casa, subia a escada de alumínio, abria a caixa e vestia a aliança por alguns minutos, só para matar a saudade.

Em outro canto da cidade, Eduardo via Acossados pela terceira vez na semana.

No cartório, Eduardo olhava para baixo quando Mônica, de ray-ban, perguntou: “Como está seu avô?”

Eduardo não podia responder ou começaria a chorar.

Mônica disse: “Melhor chorar agora do que na frente do escrivão”.

Eduardo não queria chegar com o nariz vermelho.

E chorar ali não significaria não chorar lá, porque sempre que achava que tinha acabado, que já tinha chorado tudo, descobria que tinha mais para chorar.

Eduardo relatou os meses anteriores em cinco minutos e transpareceu o nervosismo da hora.

Mônica se calou.

As testemunhas testemunharam.

O advogado tentou apressar o que Eduardo poderia adiar por pelo menos trinta anos, mas Mônica tratou de providenciar o quanto antes.

Arrependeu-se.

É duro se separar quando o problema nunca foi falta de amor.

O escrivão leu os termos do divórcio enquanto batucava o lápis na mesa num ritmo conhecido a todos os presentes.

Três homens na baia ao lado falaram alto sobre o pagode da noite anterior.

O advogado olhou para o relógio e pediu que conferissem os números da documentação e o mundo provou que não para só porque Eduardo e Mônica estão se divorciando.

A separação e o divórcio, opostos da paixão, pedem gerúndio: demoram meses, talvez anos.

Já a paixão não admite: quando se vê, já foi.

Eduardo encostou o corpo na parede para não desfalecer enquanto Mônica deixou uma lágrima escorrer por baixo do ray-ban, como se os dois estivessem em um velório de pessoas vivas.

Esperou-se o momento em que o escrivão, como um padre, perguntaria se alguém tinha alguma coisa contra aquele divórcio – fale agora ou cale-se para sempre.

E um carinha do cursinho do Eduardo chutaria a porta do cartório e gritaria que eles não podem se separar, ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz.

O escrivão mandaria que selassem as pazes em um abraço, que Mônica daria com a força de uma multidão.

Quando o juiz acabou de ler a sentença, Mônica perguntou onde devia assinar.

Levantou-se e assinou como quem faz o cheque que paga as compras do mês.

Eduardo tentou imitá-la, mas a assinatura saiu tremida.

As testemunhas.

O advogado.

Eduardo foi ao banheiro, onde assoou o nariz vermelho.

Eduardo queria tomar um conhaque.

Os dois entraram sozinhos no elevador e foram direto para o poço, apesar da lotação de seis pessoas.

Eduardo e Mônica se abraçaram na porta do cartório e ficaram na mesma posição por dez minutos, em pranto profundo.

Por vezes, trocaram de lado, para aliviar a dor no pescoço – que em minutos se espalharia por todo o corpo.

Eduardo disse: “Você está linda”.

Depois: “Não me arrependo de ter me casado com você.”

Mônica queria dizer “Casaria com você outra vez”, mas não saiu.

Aos amigos, Mônica disse que era o que tinha de ser feito, que essas coisas acontecem, entre outras besteiras.

Sozinha, chorou as lágrimas de uma vida inteira, molhou a gola do vestido e acabou com os lenços de papel da caixa.

Eduardo encheu a cara de garotas.

A casa anda bagunçada e as crianças andam cabisbaixas.

Do lado de fora, a placa “vende-se”.

Eduardo toma o dever e não deixa os meninos ganharem no videogame.

Mônica pega os filhos nos fins de semana e tem bruxismo às terças e quartas.

Eduardo e Mônica sabem que jamais existirá outro amor como o de Eduardo e Mônica, nem mesmo entre Eduardo e Mônica.

Nessas férias, vão viajar, mas não um com o outro.

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Feliz aniversário, papai!

Na comemoração do Dia dos Pais eu nunca quero falar, escrever ou pensar porque pra mim é um dia de constrangimento.

Mas hoje, 06 de Junho, eu resolvi lembrar um pouco sobre papai.

Se ele estivesse vivo, estaria completando 66 anos.

Nossa relação era um mix de amor e ódio.

Mamãe dizia que isso só acontecia porque éramos iguais.

Durante minha vida ao lado dele, nós nos comunicávamos através de sutilezas, violências e marcas profundas.

Fui crescendo e descobrindo as maravilhas e os abismos de ter um pai instável, inteligente, e algumas vezes desconectado do mundo.

Na minha infância, ele era extremamente rigoroso e inacessível.

Aí que eu passava os dias gravitando ao redor de seus livros e discos, tentando decifrar o mistério que vinha dele.

Eu achava legal ter um pai obscuro.

Os outros pais me pareciam tão óbvios, tão fáceis em seus papéis de cuidar do sustento lar e dos filhos. E certamente eles não tinham em suas estantes um livro com o título O Anticristo, (me ensinando cedo, aquilo que eu descobriria mais tarde, sua ácida crítica ao Cristianismo).

Apenas meu pai acordava angustiado num domingo, e escutava Der Freischütz, de Weber.

Aliás, ele sempre me acordava na hora que bem desejasse e então contava uma história alucinada sobre alguma música.

Papai dizia que eu ainda conheceria um escritor com o nome de Thomaz Mann e eu acreditei.

Saí de casa muito cedo, mas nunca me esqueci dos rituais e hábitos que ele detinha.

Inconscientemente trouxe vários desses para a minha vida.

E percebo que assim, é como se ele estivesse comigo.

Tínhamos formas patéticas de revelar o enorme amor que sentíamos um pelo outro.

Em seu aniversário, eu poderia aparecer com um embrulho que ele insinuava não estar nem aí para mais um par de meias ou um perfume.

Mal eu vinha com o pacote em minhas mãos, e ele com seu humor duvidoso já sorria ironicamente.

Papai parecia ter um prazer naquele ritual que se repetia sistematicamente todo ano.

Eu sentia ódio dessa reação, mas hoje sou feita dessa mesma matéria.

Entendi que o tal riso era de timidez, de não saber agradecer, de não saber receber.

Muitas vezes o riso de papai era de sua própria miséria, pelo desencontro constante que era sua vida com a família.

E assim ele carregou consigo e transmitiu a mim o legado e a sutileza da ironia fina e cortante.

E numa cumplicidade sutil e num acordo tácito que eu carreguei durante muito tempo, aquilo que ele me transmitiu numa coisa viva, forte e um tanto dolorida.

Em 1999, senti uma saudade imensa dele e liguei dizendo que iria voltar para Rondônia, abandonando a faculdade e minha vida não construída em Curitiba.

Ninguém entendeu nada, principalmente mamãe, mas todos respeitaram a minha decisão “adolescente”.

Ainda era início de julho, e eu sentia uma necessidade enorme de resgatar algumas coisas que vinham se perdendo na distância do tempo e do espaço.

Por telefone conversamos por uma hora e meia de um jeito completamente novo. Como numa espécie de mágica, não houve constrangimento e eu disse as palavras que ficaram guardadas durante muitos anos.

Ele, com a saúde frágil por conta do câncer, desligou o telefone emocionado e acordou no dia seguinte no hospital.

A gente nunca sabe calcular muito bem a dimensão de um ato. Ainda mais de um ato de amor, do qual nunca estamos preparados para nos defender.

Voltei para a casa dos meus pais.

Nos 2 últimos anos de sobrevida de papai, durante minha re-convivência com ele, eu ainda sentia que algo nos desequilibrava.

Assim evitei um contato mais próximo, como havia prometido a mim mesma.

Aos poucos eu despencava perplexa num precipício angustiante.

E quando vi meu pai em coma profundo, acompanhei todos os dias seu silêncio numa UTI, também sozinha.

Falei, falei, falei.

Poucas vezes chorei. Sentia vergonha dos olhares dos médicos e enfermeiros.

Todos diziam: Ele não escuta você, prepare seu coração porque só um milagre pode fazer com que ele saia desse quadro.

E eu, teimosa, e acreditando mais na narrativa que cada um constrói para si do que no discurso médico, ia me enchendo de certeza que ainda falaria com meu pai depois de tanto tempo de silêncio e distância.

Depois de 22 dias, vivendo ali comigo, ele faleceu.

Quando o vi dar o último suspiro, corri para as fotos, as cartas, os livros, mas nada tinha a abrangência do meu afeto e daquilo que vivi.

Tocava as coisas do cotidiano, mas tudo parecia ainda mais fluido, evanescente e efêmero.

Todos os meus sentidos, atingidos pela perda, acordaram da letargia que eu tentava retomar.

Entrei em descompasso.

Tudo ganhara, repentinamente, um contorno triste e iridescente.

Era outono em minha vida, e as folhas caiam pálidas dentro de mim.

Assim o tempo se imobilizava na espera de um longo inverno que eu já podia prever.

Foi ao perdê-lo que o primeiro golpe de dor me atravessou o peito.

Eram as tiranias da distância na intimidade que dançavam dentro de mim.

E talvez o inverno que eu esperava, já tivesse chegado; talvez ele sempre tivesse existido permeando essa relação enigmática.

Na morte de meu pai senti o frio cortante que vinha de dentro e se expandia para o mundo.

Chorei por algumas horas seguidas naquela manhã.

E hoje, antes de me emocionar com a lembrança dos rituais em seu aniversário, pensei em reescrever esse amor infinitamente profundo, denso e extenso.

Amor esse, que de alguma maneira, me permitiu amar meu pai e mergulhar junto com ele no insondável oceano de possibilidades que o devir nos reservou.

Nesse ano, no mês do meu aniversário, completarão 10 anos que papai viajou em sua nave lírica, mas não sem antes me levar com ele em muitas de suas sábias perplexidades.

E dessas viagens é o que mais sinto saudades…

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Hoje, 7 meses de casados ♥

Tudo bem que a gente gosta de celebrar o amor a todo instante, mas hoje é diferente.

E agradeço a Deus, a nós e ao acaso, por esses 213 dias ao seu lado.

É uma delícia a sensação da gente nem saber direito o dia em que tudo começou,  mas a gente sabe que foi amor.

Ao seu lado minhas manhãs são sempre diferentes.

E até o cair da noite você me faz suspirar de alegria.

Você é sempre boa companhia, mesmo triste, mesmo preto e branco porque pra mim você sempre tem cor.

Reconheço que o maior motivo da gente se encontrar foi pra descobrir o amor em outras formas.

E amar ao seu lado tem tantos significados que até me perco.

Mas você me acha, sempre.

Amar você é uma mistura de pé no chão e cabeça no teu peito.

É ter que sair de manhã para o trabalho, mas trazer tudo comigo: olhos, cheiro, mão, palavra, risos.

Eu quero ficar presa dentro do teu abraço por muito tempo.

Amo a sensação de sentir-me livre estando presa.

E o teu abraço serve de curativo para todas as minhas dores, todas!

Com você o amor vai além de dividir problemas, contas e risos.

As vezes não cabe no meu peito, no meu texto e por fim não tem nome.

Ele é.

E eu desejo que continuemos com essa sintonia que só a gente tem.

Com uma alegria daquelas ” com cara de sexta-feira-feliz”, que é uma das coisas mais bonitas e que quero guardar pra sempre.

Sempre!

E cuidar com e do amor.

E eu sei que coração é coisa pesada pra se dar.

Sei também que ele me pertence.

Mas mesmo assim quero dá-lo a você.

Para o resto de nossas vidas.

Te amo, marido

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A “arte” de cozinhar, no meu caminho…

Não é novidade que sou apaixonada por tudo que envolva comida!

Adoro cozinhar, estar na cozinha, ler sobre comida, aprender coisas novas, e claro e amo comer coisas inventadas, gostosas e diferentes.

Particularmente cozinhar me traz uma sensação de conforto e boas memórias.

Parte dessas memórias é afetiva, e elas existem por conta de um pai glutão e exímio cozinheiro em suas horas de lazer.

Portanto, tenho pensado (seriamente) em criar um blog sobre minha vida real, dentro e fora, da cozinha.

Enquanto o blog não ultrapassa o limite do desejo, resolvi postar por aqui algumas receitas.

E hoje irei preparar

Farfalle al Pesto & Pinoli

 

 Pesto – Molho encorpado com forte aroma de manjericão e alho com textura cremosa.

A sua história é um pouco incerta, mas há relatos que a família Ratto, da região noroeste da Itália, deu o nome de “battuto o sapore all’aglio” a um molho que tinha como principais ingredientes: manjericão, alho, pinoli,  queijo parmesão e percorino.

Esses ingredientes eram todos amassados em um pilão com um pouco de manteiga e azeite de oliva.

Posteriormente, não se sabe bem como, essa preparação ganhou outros continentes como o nome de Pesto.

É difícil falar em pesto sem citar o pinoli, responsável pelo toque sutil ao paladar de quem aprecia a receita original do molho.

O pinoli é um pequeno pinhão extraído do pinheiro-mano (Pinus pinea), nativo da região do Mediterrâneo e difícil de ser cultivado em outras localidades.

Devido a geografia, o Pinoli é muito utilizado na gastronomia italiana e árabe (onde é chamado de snoubar), e apresenta um preço elevadíssimo em outros países.

No Brasil, a situação não é muito diferente, e por isso, muitos chef’s modificam a receitas original, substituindo o pinoli por algum outro grão, como nozes ou até mesmo castanha-do-pará.

Vamos então ao preparo da minha receita.

Ingredientes

1 xícara de folhas de manjericão

2 dentes de alho

20g de pinoli

1/2 xícara de azeite

60g de queijo parmesão ralado

1 colher de sopa de manteiga

sal a gosto

Modo de preparo

Em um pilão esmague o manjericão junto com o alho, o pinoli e o azeite.

Acrescente a manteiga e o queijo parmesão, misture bem.

Acerte o sal com a pimenta

Dica Importante

O molho pesto não deve ser aquecido, mas pode ser misturado com um pouco da água quente utilizada para cozinhar a massa.

Sirva com a massa farfalle e bom apetite.

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