“Eu e a – minha – Poesia”

Minha vida eu tenho certeza que é feita de poesia.

E a poesia não é um objeto alheio.

Para mim ela está sempre aqui, á espreita.

Numa geografia imaginária do meu interior, quero fazer um recorte comovente através da poesia.

Um retrato rico, com uma sucessão de emoções intensas, numa experimentação e exploração de possibilidades inovadoras da linguagem.

Mas de onde extrairei as imagens que possam revelar uma sensibilidade aguda que derrama vida luminosa até em seres inertes?

Pretensão grandiosa a minha, mas gosto de ir ao fundo, é como um mergulho no infinito do ser.

A literatura me chegou de forma acidental, e de repente, como um presente, ela me conduziu suavemente até o surreal do imaginário.

Agora algo que estava adormecido vibra em mim.

Coloca-se nas entrelinhas sutis do meu corpo.

Como se todas as histórias, sensações e desejos se tornassem exatamente parte do que sou.

Entre um suspiro e outro, de vida e agonia, escancaro um segredo que os outros fingem nunca entender.

Na verdade o problema é que eu não sei me explicar.

Mas meus devaneios – que insisto em chamar de poesia –, estão guardados em um tempo que nunca mais volta.

Quem sabe descobrir as palavras mudas que meu olhar carrega?

Em cada lugar, pessoa, animal, coisa que encontro em meu caminho, me reconheço.

Reconheço minhas poesias.

As vejo por entre frestas, buracos e nas concavidades.

Daí em diante as deixo padecer com o parecer, e passo a desconhecer tudo que escrevo.

Quero aprender.

Preciso de um mestre na arte da linguagem.

Aquele que a diferença se faz visível mesmo no escuro.

Mesmo diante do desamparo e do desejo do amor.

 

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  1. #1 por Alessandro em 11 de fevereiro de 2010 - 13:48

    “Agora algo que estava adormecido vibra em mim.”

    Simples_assim…

    Simplesmente perfeito as sensações… ai ai!!!

    Beijos!!!

  2. #2 por carlosemilio em 11 de fevereiro de 2010 - 18:12

    Muito interessante essa idéia de que a poesia está semre à espreita… Os poetas são antenas que captam essa reorganização do mundo que as palavras tornam possível. E quanto mais relevant for a opção do poeta na sua “montagem”, mais ele revela o mundo.
    Fique sempre à espreita que o caminho é esse. E se vislumbram alguns desses instantes no seu texto.
    Beijooooooooooooooooooo

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