O – meu – cansaço

Ando cansada de muitas coisas.

E de tanto andar cansada, me canso e não ando.

Tenho a sensação que não vejo o mundo.

Paraliso-me.

Sinto-me árvore.

Medrosa.

Ando cansada de quebrar a cabeça e  de estar com a cabeça quebrada.

Não vejo o todo.

Fragmento-me.

Sinto-me árvore sem reação.

Ando cansada de ser sombra e não frutos.

Ando cansada da melancolia.

Pois não vejo as verdadeiras cores.

Acinzento-me.

Sinto-me árvore seca e ando cansada de tanta canseira.

O nem centenária eu sou.

E por estar tão cansada está chegando o momento de descanso.

De fato.

Tirar a casca deste cansado tronco de algumas décadas.

Me renovar.

Colorir-me de verde.

Arrancar folhas mortas.

Me tornar um ipê florido.

E eu sei que consigo ser.

Sentir de outra forma.

Mas como conseguir florir?

Ficar tão forte e imponente, em meio a tantas outras raízes que não são as minhas?

Raízes que ocupam espaços preciosos interferindo no solo em que estou plantada.

Por fim, a dúvida persiste:

” Será que realmente sou uma árvore? “

O quanto conheço de minha própria raiz?

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