– Nosso Amor Do Passado –

 
Ninguém me conhece da maneira que você ousou.
Ninguém foi tão profundo e eu vou usar o mar como metáfora, um dos meu maiores medos, e resistiu por tanto tempo.
O que me assusta e não deveria é que não estou dando um peso maior ao fato.
Ou organizando as palavras de forma meticulosa para parecer misterioso ou interessante.
Não. De fato, ninguém sabe tanto sobre mim.
Do que não é visível.
Do que não se percebe ao observar, da forma que você…
Eu não sei completar essa frase.
Você conhece tudo o que não é agradável.
Você sabe quando estou agindo de forma educada somente para cumprir formalidades.
Sabe quando eu concordo querendo explodir palavrões.
Das ironias, dos segredos, dos armários, das insatisfações, receios e despudores.
Dos pecados, todos eles e os seus desdobramentos, você sabe.
Algumas vezes sorri para eles e me respeita.
E que me ensina a ser.
Quase sempre.
Você sabe do que me desagrada, do que me incomoda, do que me paralisa e não sei se é comum alguém saber tanto do outro, mesmo depois de tanto tempo.
Eu não sei se é natural alguém conhecer sobre tanto do que é sombra em outra pessoa.
Se é trivial se deixar radiografar sem garantias porque com gente é assim:
Sem garantias.
Gostaria de qualquer rede de segurança, qualquer direito que me protegesse, mas se eu resolver listar tudo o que eu gostaria poderia escrever por três dias.
Meses, talvez.
Provavelmente, eu não sei tanto sobre você.
Não me aflige não saber.
Não saber, na verdade, me salva.
Não saber, de uma forma bem sarcástica, é minha garantia…
Ninguém sabe tanto dos meus vulcões ou suportou por tanto tempo todo tremor de terra.
Sei também eu das tuas e dos teus desvios, conheço os atalhos, sei da roupa amassada, da fome gigantesca, de quando os holofotes descansam e a maquiagem derrete.
Da lágrima que ninguém viu, eu sequei cada uma.
Aqui vou me desdizer e deixar de ser poeta:
É recíproco – sim – porque ambos compreendemos que é preciso alguém para dividir qualquer tesouro empoeirado ou não. Companheiros, me sopra o racional se não fosse essa leve sensação de não se deixar tocar, de te exigir atitudes, mendigar migalhas.
Eu, com reserva para tantos invernos.
Camille Claudel que me assalta a sensação de não satisfação e que não chega a ser nada além de uma sensação tola que não esbarra na história real de nós dois.
Ninguém nunca me resistiu por tanto tempo.
Ao meu amor.
Carinho.
Ou qualquer outra urgência branda.
Ninguém foi tão meu amigo por tantas quadras, me entregando a sensação de que cada dia é um novo dia.
Nova página para rabiscar, ávidas crianças diante da tinta abundante e plural.
Ciente dos cuidados, da conquista que se refaz feito tecelão dos bons diante da sua melhor roca.
Era sobre isso que eu queria escrever:
Sobre essa responsabilidadede ser e estar que a gente vai honrando com sal pimenta e um açúcar nada amargo.
(Hans Canosa)
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