– Minhas Manias –

Gosto de rabiscar palavras para entender o mundo.

Isso resulta sempre em tentativa, visto que nunca o entenderei por completo.

Continuo rabiscando e procurando uma forma de me habitar nesses equívocos e engodos da literatura.

Por alguns instantes duvido da minha própria existência, mas na seqüência me lembro de que só existo , porque faço esse exercício do inexorável, todos os dias, em meu corpo.

O meu corpo insiste em ter satisfações irrealizáveis.

Estou sempre perdida dentro da dimensão do que sou.

O mundo só existe como mundo na vontade e sua representação.

Experimento a morte muitos dias, é divertido ter prévias do fim de meu cotidiano.

Já vivi a morte real muitas vezes, mas isso não deve me tornar mais amarga, mais dura, muito menos arrogante.

Por sorte o encontro com a perda me salva disso tudo.

Isso é o que me fez acreditar na delicadeza dos encontros.

Estou em busca da felicidade constantemente.

Mesmo sabendo que o esforço de encontrá-la não é natural, é ético.

 Aceito a vida como ela é, mas vez ou outra deixo me abater pela dor.

Disse não ao meu passado e hoje, ele me constitui pacificamente.

O que restou disso constitui as entrelinhas sutis do que sou.

Nasci em Outubro e totalmente descoberta.

Mas abomino me esconder dos outros e dos afetos.

Amores, amigos e desejos inconstantes vivem dentro de minha alma numa boa, mas tenho gosto pelo teatral.

Gosto das festas, de qualquer comemoração e que exista nisso grande fartura, isso contribui para minha glória e danação.

Existo para ser abismada e encantada com a alteridade que nega a mesmice.

A escrita se representa nisso também.

Aposto nas palavras que correm soltas em folhas de papel e dão sentido ao nada que me invade.

Acredito na linguagem e na comunicação entre os seres.

Só isso pode celebrar os espaços que sobrevivem ao massacre do cotidiano.

Também é uma tentativa de tentar escrever, aquilo que não cessa de registro.

Escrevo para me ficar mais viva.

E eu sei que minha fala tem ressonâncias na existência alheia.

Por isso não me levem muito a sério.

Quero que minhas palavras aprendam a ter leveza, e por si só saiam voando após serem lidas.

Descobri no fim dessas linhas que escrevo para ter asas.

 

(Texto Adaptado do Blog Flor de Bela Alma)

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  1. #1 por Naime em 27 de abril de 2010 - 16:38

    lindo, me fez refletir.
    tudo tem seu oposto, ainda bem.
    uns criam asas escrevendo e outros lendo.

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