Arquivo de maio \27\UTC 2010

– Sem Palavras –

– Isso é um paradigma.

– O que é um paradigma?

“Todas as paixões passam com o tempo”.

Esse não é o padrão de comportamento das paixões?

– Então a culpa agora é das paixões?

– Ou do tempo.

– Não foi o tempo que deixou de gostar de mim.

Foi você.

– Eu não deixei de gostar de você. 

Eu gosto de você.

Mas a paixão passou com o tempo.

– O tempo realmente não gosta de mim.

– O tempo não gosta.

Nem desgosta.

Ele só passa.

– Levando as minhas paixões!

– E as minhas.

E as de todo mundo.

A sua paixão por mim também passou.

– E você não está indignada porque a nossa paixão passou?

– Não adianta se indignar com o inevitável.

– Isso é outro paradigma?

– Isso é uma conclusão racional.

– Você era bem mais passional quando era apaixonada.

– Isso é um pleonasmo.

– Danem-se as palavras. 

E os pleonasmos.

E os paradigmas.

E as conclusões racionais.

Eu quero a nossa paixão de volta!

– Eu também quero.

 E o que é que a gente pode fazer?

Inventar a máquina do tempo e voltar praquela noite de São João quando a gente se beijou pela primeira vez num cenário de fogos de artifício?

Descobrir uma composição química que ressuscite as paixões e injetar ela na veia?

Provocar uma amnésia em ambos para que a gente possa esquecer tudo que viveu e então se conhecer uma outra vez?

– Qualquer dessas opções seria inútil.

O tempo continuaria passando e levaria de novo a nossa paixão com ele.

– Todas as paixões passam com o tempo.

É o que eu estou tentando dizer.

– E eu não estou querendo aceitar.

– Isso é burrice.

Se daqui a pouco o dia vai amanhecer, não é melhor a gente querer que ele amanheça para não ficar contrariado daqui a pouco?

– Isso é muito inteligente.

Resolver querer tudo que vai acontecer, mesmo querendo o contrário.

Queremos envelhecer!

Queremos morrer!

Queremos que a água potável da Terra se esgote!

Queremos que as estrelas se apaguem, uma a uma, até o céu ficar vazio!

Queremos que a nossa paixão passe completamente, vá embora, e jamais retorne, para que nossa vida fique bem sem graça!

– Temos duas opções: podemos nos separar e ir arranjar outra paixão por aí, ou continuar juntos sabendo que o incêndio apagou, o terremoto acabou, e isso tem até um lado bom.

Paz.

Família.

Carinho.

Cumplicidade.

– Isso é conformismo.

– Isso é amor.

– Não fala mais nada.

Apaga a luz e deita aqui ao meu lado.

– Isso é uma maneira gentil de encerrar a conversa?

– É só uma tentativa de reencontrar, com as nossas bocas, um argumento que deixe a gente sem palavras.

(Adriana Falcão)

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– Cada Ser Humano É Um Estranho Ímpar –

Hoje eu estava conversando com uma amiga super querida e fiz algum comentário do tipo “-Ah, que pena que a gente não está mais sempre perto!”, porque se trata de alguém que convivia comigo com uma maior constância e de quem, cacete, eu sinto falta!

E ela me solta uma de que não é legal as pessoas estarem juntas quando não precisam estar.

Eu tenho certeza absoluta que ela não disse isso para magoar, mas achei o comentário de uma frieza absurda.

Então quando as pessoas precisam estar juntas?

Num encontro completamente inevitável, talvez até não tão desejado e ansiado?

As pessoas não podem estar juntas pelo simples prazer de estar?

De sentar e jogar conversa fora?

Várias vezes eu não precisei estar com a tia Cleide e não estive.

E não há, no momento, coisa da qual eu mais me arrependa.

Simplesmente porque não dá pra mudar o que houve.

O que me conforta é saber que estive sem precisar em outras ocasiões também, pelo mero desejo de estar.

As pessoas não contam com as surpresas da vida, se dedicam muito pouco às outras e depois querem morrer de culpa.

Eu sou uma pessoa que, até por histórico de vida, tem uma tendência ao apego.

Além da necessidade de dar às pessoas coisas que eu não tive, ainda que elas não precisem disso e as tenham de sobra.

É algo que precisa ser corrigido e eu sinceramente acho que está sendo.

Tem a ver com independência emocional, saca?

Que é uma coisa que eu não tenho por completo.

Nem isso nem inteligência emocional.

E a falta desses elementos faz do ser humano uma verdadeira bomba relógio.

As coisas começam a desandar, a saúde degringola, é um auê.

No meu caso, isso até nem deveria ser tão gritante, porque apesar de me apegar, eu também tenho uma capacidade enorme de me virar sozinha.

Uma psicóloga de renome me disse isso: que eu tenho uma independência imensa no desenrolar das ações práticas, a ponto de auxiliar parentes e amigos, ir lá e fazer e quando a pessoa se dá conta e vem pra mim com o fubá, eu já estou voltando com bolo pronto com calda e tudo.

O meu pai comentou na semana passada que me achava muito obstinada em certas situações, porque pedi a ele a dica de um livro sobre um tema que tem me interessado e quando falamos de novo, alguns dias depois, eu já tinha comprado e lido o livro.

Acho que essa obstinação se faz presente verdadeiramente na minha vontade de ajudar os outros.

Mas emocionalmente falando, eu não tenho esse expediente.

E o que eu administro menos ainda é as pessoas não compreenderem isso e acharem que eu tenho que ser um poço de alegria, felicidade, independência, auto-suficiência, saúde, desapego.

Gente, eu vivi 20 anos contando com a idéia de contar com as pessoas.

De repente, quando me vi particularmente sozinha neste ano, foi um baque sem tamanho, do qual eu ainda não me recuperei.

Tem gente que lida bem com isso, tem gente que não.

 Não dá pra medir.

Eu não estava acostumada em ficar tanto tempo só, horas calada, com o telefone sem tocar por dias a não ser que alguém esteja precisando daquela independência prática ou de qualquer outra coisa que não seja saber se está tudo bem, como eu estou, se preciso de algo, essas coisas.

Quando alguém liga única e exclusivamente para saber se está tudo bem comigo, eu fico até surpresa.

É horrível dizer isso, mas em geral, eu não estou esperando.

A nítida sensação que eu tenho é que, desde que fiquei doente e explanei isso, me tornei uma inválida que não serve pra quase nada e deve ficar no cantinho sem incomodar ninguém, a não ser que seja para executar alguma tarefa perdida e existente na minha lista de capacidades.

E isso não é vitimização, drama, nem nada do tipo, embora eu tenha sido ou seja ainda excessivamente sensível.

(F.Y)

 

” Dedico esse post a: Anderson, Leo Neto, Helo Nicácio e Carlos Fonts, aqueles de quem eu sempre quero estar perto…”

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– Quando Deus Aparece – Dedicado ao Amigo Daniel –

Deus não está em promoção, se exibindo por aí.
Ele escolhe, dentro do mais rigoroso critério, os momentos de aparecer pra gente.
Não sendo visível aos olhos, ele dá preferência à sensibilidade como via de acesso a nós.
Mas valorizo essas aparições como se fosse a chegada de uma visita ilustre, que me dá sossego à alma.
Quando Deus aparece pra você?
Pra mim, ele aparece sempre através da música.
Pode ser uma música popular, pode ser algo que toque no rádio, mas que me chega no momento exato em que preciso estar reconciliada comigo mesma.
De forma inesperada, a música me transcende.
Deus me aparece nos livros, em parágrafos em que não acredito que possam ter sido escritos por um ser mundano: foram escritos por um ser mais que humano.
Deus me aparece – muito! – quando estou em frente ao mar.
Tivemos um papo longo, cerca de um mês atrás, quando havia somente as ondas entre mim e ele.
A gente se entende em meio ao azul, que seria a cor de Deus, se ele tivesse uma.
Deus aparece quando choro.
Quando a fragilidade é tanta que parece que não vou conseguir me reerguer.
Quando uma amiga me liga de um país distante e demonstra estar mais perto do que o vizinho do andar de cima.
Deus aparece nas preocupações da minha mãe, que mãe é sempre um atestado da presença desse cara.
E quando eu o chamo de cara e ele não se aborrece, aí tenho certeza de que ele está mesmo comigo.

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– Lixos Existenciais –

 

Se for verdade que a cada dia basta a sua carga, por que então teimamos em carregar para o dia seguinte nossas mágoas e dores?

Há ainda os que carregam para a semana seguinte, o mês seguinte e anos afora…

Apegamos-nos ao sofrimento, ao ressentimento, como nos apegamos a essas coisinhas que guardamos nas nossas gavetas, sabendo inúteis, mas sem coragem para jogar fora.

Vivemos com o lixo da existência, quando tudo seria mais claro e límpido com o coração renovado.

As marcas e cicatrizes ficam para nos lembrar da vida, do que fomos, do que fizemos e do que devemos evitar.

Não inventaram ainda uma cirurgia plástica da alma, onde podem tirar todas as nossas vivências e nos deixar como novos.

Ainda bem.

Não devemos nos esquecer do nosso passado, de onde viemos, do que fizemos dos caminhos que atravessamos.

 Não podemos nos esquecer nossas vitórias, nossas quedas e nossas lutas.

Menos ainda das pessoas que encontramos essas que direcionaram nossa vida, muitas vezes sem saber.

O que não podemos é carregar dia-a-dia, com teimosia, o ódio, o rancor, as mágoas, o sentimento de derrota.

Acredite ou não, mas perdoar a quem nos feriu dói mais na pessoa do que o ódio que podemos sentir toda uma vida.

As mágoas envelhecidas transparecem no nosso rosto e nos nossos atos e moldam nossa existência.

Precisamos, com muita coragem e ousadia, abrir a gaveta do nosso coração e dizer: eu não preciso mais disso, isso aqui não me traz nenhum benefício e eu posso viver sem.

E quando só ficarem as lembranças das festas, do bem que nos fizeram, das rosas secas, mas carregadas de amor, mais espaço haverá para novas experiências, novos encontros.

Seremos mais leves, mais fáceis de ser carregados mesmo por aqueles que já nos amam.

Não é a expressão do rosto que mostra o que vai dentro do coração?

De coração aberto e limpo nos tornamos mais bonitos e atrativos e as coisas boas começarão a acontecer.

Luz atrai, beleza atrai.

Tente a experiência!…

Sua vida é única e merece que, a cada dia, você dê uma chance para que ela seja rica e feliz.

(Letícia Thompson)

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– Carpe Diem, aproveite o momento – Por Contardo Calligaris


Quem vive plenamente não terá medo de morrer. Mas o que é viver plenamente?


ESTREIA AMANHÃ , Brasil afora, “Quincas Berro d’Água”, de Sérgio Machado, inspirado num dos romances mais bonitos (e mais lidos) de Jorge Amado, “A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água”.

O filme é uma daquelas raríssimas obras que nos fazem rir e sorrir da vida, do mundo e de nós mesmos, enquanto, justamente, pensamos seriamente na vida, no mundo e em nós mesmos.
Esse milagre deve ser efeito do roteiro (do próprio Machado) e da atuação de um conjunto de atores que todos mereceriam ser mencionados, a começar por Paulo José, que é Quincas, vivo e morto (e não pense que encarnar um morto seja tarefa fácil).

Agora, nesse grupo extraordinário, quem rouba a cena é Mariana Ximenes, no papel de Vanda, a filha que Quincas abandonou quando deixou sua vida de funcionário “respeitável” e caiu na farra. Quase sem palavras, com delicadas e progressivas mudanças de seu olhar, Ximenes nos conta, de maneira inesquecível, o despertar nela dos genes paternos.

Enfim, meu jeito de agradecer à equipe que nos oferece esse filme foi anotar algumas reflexões que ele suscitou em mim.

1) Quase sempre, quando sonhamos em mudar de vida radicalmente, enxergamos esse ato como a conquista de uma alforria: seremos livres -dos pais ou, então, da mulher ou do marido que nos aprisionam. De fato, às vezes, os outros nos controlam e nos impedem de viver, mas não é frequente.

Em geral, nós os acusamos pela mesmice de nossa vida (“se nos livrássemos desses tiranos, poderíamos viver plenamente”), mas a tirania que nos oprime é a de nossa inércia e de nossa covardia.

2) Às vezes, num casal, as exigências triviais do parceiro são intoleráveis por parecerem absolutamente insignificantes: tire os pés da mesa, não espalhe o jornal pelo chão da sala nem a roupa pelo chão do quarto. Indignação: a morte nos espreita, e eis que alguém se preocupa com as migalhas que podem cair no sofá.

Como teria dito Sêneca, nós nascemos para coisas grandes demais para continuarmos escravos dessas picuinhas, não é?

Problema: uma vez chutado o pau da barraca, quem garante que a “grandeza” para a qual nascemos não se resuma em comer livremente amendoins na cama?

3) Quincas tem razão: só teme a morte quem não se permitiu viver, ou seja, quem viveu plenamente não tem medo de morrer.

Mas o que é uma vida plena? Será que é a vida de Quincas? A bebida e os amores? A fuga das responsabilidades domésticas?

Talvez o valor da farra de Quincas esteja, sobretudo, na liberdade de viver sem se importar com o julgamento dos outros, com a boa reputação. Para aproveitar a vida, antes de mais nada, não se preocupe com o olhar reprovador dos demais.

4) Reli a ode 1.11 de Horácio, onde está o famoso “carpe diem” (colha o dia). Horácio sugere que não apostemos nossas fichas no futuro, mas nos preocupemos com o agora, com o hoje.
Tudo bem, mas será que viver como se não houvesse amanhã significa necessariamente perder-se (ou encontrar-se) nos prazeres imediatos da carne? Não é nada óbvio. Um cristão poderia concordar com Horácio, entendendo o “carpe diem” assim: é preciso estar em paz com Deus hoje, agora, não amanhã.

5) Então, o que é viver plenamente: gozar, rezar, meditar, cultivar-se?

Talvez seja possível responder sem tomar partido.

Eis uma anedota da qual Quincas teria gostado. O rei da Itália, Vittorio Emanuele 2º, passeava a cavalo pelo campo de seu Piemonte nativo.

Chegou à fazendola de um camponês, que fez grande festa e o convidou à mesa.

Vittorio Emanuele elogiou o vinho do camponês, o qual comentou: “Isto não é nada. Sua Majestade deveria experimentar o de três anos atrás”. O rei replicou: “E esse vinho de três anos atrás acabou?”. “Não acabou, Majestade”, respondeu o homem, “mas a gente guarda o que sobrou para as grandes ocasiões”.

Pois é, quando Mefisto comprou a alma de Faust, ele impôs a seguinte condição: Faust viveria até o dia em que, diante da beleza do que ele estaria vivenciando, fosse levado a pedir que o átimo parasse. Quando isso acontecesse, ele morreria, seu tempo acabaria.

Há várias interpretações dessa passagem do “Faust”, de Goethe (1, 699-706); uma delas é que Faust só poderia morrer uma vez que ele descobrisse o segredo da vida. E esse segredo é que, para viver plenamente, é preciso reconhecer que, com ou sem o rei sentado à mesa, com farra ou sem farra, na alegria ou na tristeza, cada momento presente é sempre uma grande ocasião.

 

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Alegria – Por Fabrício Carpinejar

Me arde uma alegria, que não aceita ser felicidade, porque a felicidade é uma palavra muito longa e a alegria tem pressa…

Uma alegria de deitar na grama e sentir que está molhada e não se importar com a roupa orvalhada e não se importar com a hora e com os modos, uma alegria que é inocência, mas sem culpa para acabá-la.

Uma alegria que é descobrir os objetos no escuro.

Uma alegria repentina, que me faz entortar o rosto para rir, que não me faz pôr a mão na boca com medo dos dentes, que me impede de me proteger.

Uma alegria como um tapete que fica somente curtido no centro.

Uma alegria de ficar com pena dos anjos e de suas asas pesadas como duas montanhas nas costas, suas asas como dois irmãos brigando em dia de chuva…

Uma alegria de perceber que quanto mais gasto o tempo com os outros mais sobra para mim…

Uma alegria que não volta para a estante porque não saiu de nenhum livro lido.

Uma alegria que se antecipa e faz sala ao quarto.

E quase me faz acreditar que sou possível.

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– Casal Inteligente Enriquece Junto? –

Por favor, me dá um desconto.

Ter objetivos em comum separa o casal.

É confundir a relação com um negócio.

Daí não será um namorado, mas um sócio.

Daí não será uma namorada, mas uma investidora.

Não há engano maior do que partilhar metas.

 Trocar a televisão pelas planilhas do Excel.

O que parece uma referência de parceria, tampa de margarina, é um se aproveitando do outro.

Estão preocupados em não perder tempo, em render o máximo desempenho com o mínimo esforço, em aproveitar as chances e as ocasiões para eliminar as exigências domésticas.

Não têm afinidades, a não ser a vontade de crescer profissionalmente.

Invente de retirar o interesse dos dois, não sobrará coisa alguma, pedra sobre pedra, cartão sobre cartão.

Não terão assunto.

Adoram a distância para simular saudade.

A única sintonia é a carreira, o que um oferece e o segundo aceita, não vão partilhar o futuro.

O mercado é muito instável para um casamento.

Afinal, é preciso ser livre para atrair ofertas.

Alguns podem até delirar que é amor, chegue perto com o olfato: o perfume excessivo é ambição.

Dividir o poder não significa cumplicidade, é adoração de si.

A paixão é o espelho da obsessão.

Um espelho que nunca fica embaçado.

É conveniente amar a prosperidade de um homem ou sucesso de uma mulher.

Tomar carona.

Amor é empobrecer junto, se for o caso.

É ser inútil e continuar tentando.

É não ter medo de começar com um colchão no chão e com as mesas dos joelhos.

Não aguardar o momento, ficar ao lado até que ele venha ou não venha.

Suportar as dívidas, os credores, as piores fases e encontrar humor dentro das contas.

É admirar mesmo sem qualquer identificação imediata.

Respeitar os caminhos diferentes, opções distantes, vocações opostas e procurar entender para conversar e recolher os farelos de pão da mesa e arrumar a gola na hora de partir.

Não se escolhe uma companhia por aquilo que ele faz, porém por aquilo que deseja.

Por aquilo que ele guarda no desejo.

Sempre estranhei casal que se esbarra no corredor de casa e passa reto.

Encontra seu par e não diz nada.

Como dois desconhecidos, mesmo que já tenham se visto há um minuto.

Alheios, fantasmagóricos.

Não contraem culpa pela desatenção, acham natural ver e não ver, estar ocupado e seguir adiante.

Não se intrigam de ternura, não se espantam com a falta repentina.

Não mencionam um toque.

Não se pronunciam com um beijo ou um abraço.

Não se provocam com as perguntas irritantes e tão necessárias: “O que está pensando?” ou “O que está fazendo?”

Estão longe de um lar.

Suas casas são escritórios.

(Por Fabrício Carpinejar)

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