– Cada Ser Humano É Um Estranho Ímpar –

Hoje eu estava conversando com uma amiga super querida e fiz algum comentário do tipo “-Ah, que pena que a gente não está mais sempre perto!”, porque se trata de alguém que convivia comigo com uma maior constância e de quem, cacete, eu sinto falta!

E ela me solta uma de que não é legal as pessoas estarem juntas quando não precisam estar.

Eu tenho certeza absoluta que ela não disse isso para magoar, mas achei o comentário de uma frieza absurda.

Então quando as pessoas precisam estar juntas?

Num encontro completamente inevitável, talvez até não tão desejado e ansiado?

As pessoas não podem estar juntas pelo simples prazer de estar?

De sentar e jogar conversa fora?

Várias vezes eu não precisei estar com a tia Cleide e não estive.

E não há, no momento, coisa da qual eu mais me arrependa.

Simplesmente porque não dá pra mudar o que houve.

O que me conforta é saber que estive sem precisar em outras ocasiões também, pelo mero desejo de estar.

As pessoas não contam com as surpresas da vida, se dedicam muito pouco às outras e depois querem morrer de culpa.

Eu sou uma pessoa que, até por histórico de vida, tem uma tendência ao apego.

Além da necessidade de dar às pessoas coisas que eu não tive, ainda que elas não precisem disso e as tenham de sobra.

É algo que precisa ser corrigido e eu sinceramente acho que está sendo.

Tem a ver com independência emocional, saca?

Que é uma coisa que eu não tenho por completo.

Nem isso nem inteligência emocional.

E a falta desses elementos faz do ser humano uma verdadeira bomba relógio.

As coisas começam a desandar, a saúde degringola, é um auê.

No meu caso, isso até nem deveria ser tão gritante, porque apesar de me apegar, eu também tenho uma capacidade enorme de me virar sozinha.

Uma psicóloga de renome me disse isso: que eu tenho uma independência imensa no desenrolar das ações práticas, a ponto de auxiliar parentes e amigos, ir lá e fazer e quando a pessoa se dá conta e vem pra mim com o fubá, eu já estou voltando com bolo pronto com calda e tudo.

O meu pai comentou na semana passada que me achava muito obstinada em certas situações, porque pedi a ele a dica de um livro sobre um tema que tem me interessado e quando falamos de novo, alguns dias depois, eu já tinha comprado e lido o livro.

Acho que essa obstinação se faz presente verdadeiramente na minha vontade de ajudar os outros.

Mas emocionalmente falando, eu não tenho esse expediente.

E o que eu administro menos ainda é as pessoas não compreenderem isso e acharem que eu tenho que ser um poço de alegria, felicidade, independência, auto-suficiência, saúde, desapego.

Gente, eu vivi 20 anos contando com a idéia de contar com as pessoas.

De repente, quando me vi particularmente sozinha neste ano, foi um baque sem tamanho, do qual eu ainda não me recuperei.

Tem gente que lida bem com isso, tem gente que não.

 Não dá pra medir.

Eu não estava acostumada em ficar tanto tempo só, horas calada, com o telefone sem tocar por dias a não ser que alguém esteja precisando daquela independência prática ou de qualquer outra coisa que não seja saber se está tudo bem, como eu estou, se preciso de algo, essas coisas.

Quando alguém liga única e exclusivamente para saber se está tudo bem comigo, eu fico até surpresa.

É horrível dizer isso, mas em geral, eu não estou esperando.

A nítida sensação que eu tenho é que, desde que fiquei doente e explanei isso, me tornei uma inválida que não serve pra quase nada e deve ficar no cantinho sem incomodar ninguém, a não ser que seja para executar alguma tarefa perdida e existente na minha lista de capacidades.

E isso não é vitimização, drama, nem nada do tipo, embora eu tenha sido ou seja ainda excessivamente sensível.

(F.Y)

 

” Dedico esse post a: Anderson, Leo Neto, Helo Nicácio e Carlos Fonts, aqueles de quem eu sempre quero estar perto…”

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  1. #1 por Carlos em 26 de maio de 2010 - 13:11

    Lindo texto Ana!Faço das minhas apalavras as suas (também sou dependente emocional).Bjsss

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