– Zurich, sim ou não? –

Hoje acordei atrasada e o dia amanheceu um tanto mais belo, com um cheiro de conhecido.

No trajeto até o trabalho pensei: “ se nada atravessar meu caminho, será um dia como muitos outros: nem muito excitante, nem muito modorrento, apenas habitual como a vida no gerúndio.”

No entanto, mal entrei no escritório e já recebi um bilhete com um recado da Suíça.

(Ana, favor retornar a ligação para a Bubendorf, ela está no número 00xx41…)

Assim algo atravessou, queira eu entender ou não, estando preparada ou não, algo se interpôs.

Na ligação recebi um convite que nunca havia se derramado daquele jeito, uma possibilidade que me fez ferver, um conceito que me desestruturou, uma perspectiva que desestabilizou todos os meus dias sem concretudes.

E então camarada Deus, o que fazer?

A proposta está ali e em no máximo 90 dias reclamará uma decisão.

O dia que nasceu tarde e mais belo parece agora nebuloso, e o cheiro de conhecido desapareceu.

Surpresas, surpresas, surpresas… como elas me atravessam e corroem.

Sinto como se a terra interna saísse pelo estômago.

Possibilidade?

Fantasia?

Desejo?

A verdade é que nada mais resta a não ser ver a mim mesma em perspectiva, para dentro.

Do futuro nada sei, a não ser que ele decorre do que escolhemos hoje.

A vida sempre trará suas impertinências, e a maior delas é este não-saber o que teria sido se tivéssemos feito a outra escolha.

Preciso urgentemente agir como no poema de Cecília Meireles: “ou isto ou aquilo”.

Devo ser profundamente honesta e tomar a única decisão decente: aquela que diz respeito à minha própria natureza, àquilo que me distingue dos demais.

Então a vida é o que eu construir passo a passo, mirando o mais alto que posso na linha dos meus desejos?

Quanta dúvida.

Quanto questionamento e foi apenas uma proposta.

Por que tudo me engole?

Enfim, sou o que eu decidir.

Sem receio do futuro.

Sem culpa pelo passado.

Quanto aos conselhos, por mais que me digam o que fazer e por mais que conheçam: só eu sei o que vai por dentro, o que me move de fato, e o que eu preciso para “ser”.

Por hora vou retirar meu dilema do aspecto moral, e tudo vai se tornar água boa de beber.

No mais, os dias voltarão a ser belos.

Eu estou no comando do que importa na vida que escolhi: ter, ficar, focar, fundar… e atravessar o oceano.

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  1. #1 por LeoNeto em 30 de junho de 2010 - 14:13

    Não precisa ser Zurich sim ou não… pode ser um Zurich, talvez… Não seja como eu sou: tão rígido, cheio de “sim” e “não” ou “preto” e “branco”. Abra espaço pro cinza…

    Faça o que eu falo, não faça o que eu faço…

    beijo

  2. #2 por Fernando Foratto em 30 de junho de 2010 - 16:49

    o que voce decidir estarei coim voce.
    sem dizer que posso me programar para minhas ferias de julho 2011 na casa de minha amiga em Zurich..kkk

    Parabens vc merece tudo isso e muito mais.

  3. #3 por KSS em 30 de junho de 2010 - 19:30

    A vida é um sutiã(ou soutien; do francês soutien: suporte), só saberá se meter os peitos. Bjus!

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