O macho da relação

No restaurante eu puxo minha cadeira.

As vezes eu o tiro para dançar e conduzo os passos.

E, Deus, tenho que me controlar para não rodopiá-lo no ar.

Eu carrego todas as compras e esqueço que ele poderia me ajudar no supermercado.

Decido onde vamos e quando vamos.

E quando há alguma opinião a ser dada, minha voz não se inibe de mencionar qualquer palavra.

Não quero carinhos depois do sexo, apenas adormecer para o amanhã.

É assim, sou assim.

Descobri que eu sou meio homem na relação.

Porém, nesse atual mundão de Deus qualificar o que é “atitude de homem” e “atitude de mulher” é temerário e beira a arbitrariedade.

Dúvida: Porque o homem deveria ser o protetor, o que conduz, o que planeja?

Pra mim é balela a “resposta teoria” : é  porque a mulher já possue inúmeras preocupações extras.

Ou seja, seguindo o raciocínio: No dia a dia, o homem deveria ser o ATIVO, assim como é na cama.

Nova dúvida:  Quem garante que os homens encenam apenas o papel ATIVO entre quatro paredes, numa cama?

Enfim, minha amigas dizem que “nós mulheres” deveríamos ter “o nosso” sempre tirado da reta.

 – Uma vez na vida, que seja! –

Mas não é o que acontece, ao menos comigo.

E quer saber? Ainda bem.

Numa relação mal posso respirar.

Tenho o péssimo hábito de dirigir todos os capítulos e, ainda, atuar neles.

Escolho os figurinos, levo comida ao elenco e, ainda, decoro o cenário.

Eu gosto de levá-lo a um novo restaurante e lhe fazer surpresas.

O ruim, é que esse “temperamente, ego” eu também imponho aos amigos.

E confesso: “algumas vezes é cansativo ser tão ativa assim.”

Bom, eu sou mulher e namoro um cara.

Teoricamente, eu deveria ser A Passiva, certo?

E-R-R-A-D-O!

Diferente do fato que as vezes preciso de alguém que cuide da porra das minhas coisas.

Mas a REALIDADE que está enfiada entre minhas pernas como um O.B diz: “É impossível alguém com atributos ATIVOS sendo homem.”

Deus (quantas vezes eu disse seu nome em vão aqui?): quero ser mulherzinha.

Quero ser frágil.

O sexo frágil.

A fragilidade.

A passiva.

Esquece tudo, eu não quero mais nada disso, quero continuar sendo feliz, só isso!

É que hoje eu acordei me sentindo o macho da relação…

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