– Resposta ao tal e-mail (dele) que me emocionou –

 
 
 
Um dia conheci um menino.
 
Ele sentou-se ao meu lado num bar chamado Marajá, e eu lembro de não ter sido nada amável com ele.
 
Mesmo assim ele insistiu numa possível amizade (ainda não sei bem o porque, mas ele deve ter me achado diferente.), e daí em diante fez uma viagem comigo.
 
Nossa viagem é ainda curta, porém intensa.
 
O curioso é que em momentos chatos (que eu vivi), ele se apressou em sorrir para mim e após esse período me deu um grande presente.
 
Nem esse menino sabia que o presente teria tanta importância e significado pra que eu descobrisse novamente: o amor em mim.
 
Sempre gostei dos romances existenciais, e sempre os escutei (em histórias de outros personagens), para não me esquecer do outro e para lembrar que só existe vida quando ela é contada e que, se há algum sentido na existência é na narrativa que ele acontece.
 
Com a chegada desse presente passei da fase de ouvinte, para que minha história se reescrevesse numa fala amorosa.
 
Algumas vezes me pego bastante assustada e comovida com todo esse amor.
 
E então começo a me lembrar do que papai falava para um primo que morou um tempo conosco: Marcos, a existência é devir”.
 
Seu Luiz Augusto foi embora cedo de mim, mas deixou cravado em minha alma essa coisa de reeditar insistentemente as histórias.
 
Bom, sobre o presente.
 
Ah, ele tem 1.75 (socado na terra é, claro!), um cheiro estonteamente sensual, o qual eu nunca senti em ninguém.
 
E sua incrível genialidade e bom humor pesou muito, desde o início.
 
Com ele já me senti descendo ao inferno, mas o melhor disso foi poder voltar de lá segurando em sua mão, com a promessa que tinha amor e tudo dali em diante seria de verdade.
 
Esse presente é para mim a mais pura poesia.
 
E o presente (ao seu modo, e eu creio que já conheço no íntimo) me remete a um “mestre”:
  • Hemingway, um dos meus escritores preferidos, que viveu a vida intensamente, sorvendo tudo até a última gota, e escreveu coisas brilhantes.
 Enfim, esse presente se parece muito comigo.
 
Amigos dizem que nossa química é assustadora, de boa.
 
Confesso que muitas vezes me pego com a questão de: “e se ele se for de mim?”…
 
Me calo com: “vai ser infinito agora, enquanto durar”, pois Anderson é uma espécie de homem “maldito” e iluminado- daqueles que jamais serão superados.
 
Tenho 3 bons exemplos de homens na minha história: Papai, Vovô Ari e um irmão chamado Leo.
 
Todos com características que lhes são bem peculiar.
 
E essas características estão aglomeradas na pessoa do meu futuro marido: original, audacioso, polêmico, marginal.
 
São esses tipos os que me fazem rir, pensar e, principalmente: SER FELIZ.
 
Dois já se foram (papai e vovô), mas são pra mim e quem pôde conviver com eles: lendas ainda vivas.
 
Já Leo e Anderson, são a minha felicidade no dia de hoje.
 
Eles me mostram a cada minuto que a vida não é coisa lá que se retenha ou se compre.
 
Anderson, meu amor, vc é daqueles que nasceu sabendo que o intervalo entre o nascimento e a morte é mesmo absurdo e misterioso.
 
E com seu jeitinho sabe secretamente que a gente só vive “se contando”, porque do contrário (sem nossos enredos inventados), não poderíamos encarar esse intervalo de crueza inquietante e angustiada do viver.
 
Obrigada por estar na minha vida, fazendo-a muito mais feliz.
 
Ao seu lado sigo com meu coração em desatino, flutuando no oco das palavras e tateando o mistério da vida.
 
Estar com você é um “momento” tão especial, que marca minha alma e corpo para que minha consciência do fim, só me leve a contar essas e outra histórias.
 
Foi ao seu lado, meu presente que entendi o recado do poeta André Comte:
 
“Trata- se de preferir a vida como ela é, com suas dificuldades, com seu quinhão de horrores às vezes, mas também com seus prazeres, suas alegrias, seus amores; aceitar e amar a vida como ela é mais do que esperar uma outra.”
 
Enfim, em cada palavras dessa que escrevi, há fragmentos das várias vidas que me atravessaram e construem o enredo de minha vida e o meu discurso no mundo.

Nesse calor de fim de tarde aqui em Moema, vou costurando esse e-mail com lágrimas e dessas narrativas, onde me cubro para não desaparecer no abismo de mim, lembro com ternura do menino que me presenteou com O AMOR!

 Obrigada Leo, não mais me interrogarei sobre esses momentos tão essenciais e ternos.
 
É isso: A vida é mesmo coisa muito frágil e, talvez não tenha mesmo muito sentido….
 
E nessa narrativa onde ficção e realidade se tropeçam e se confundem, sigo escrevendo no céu do absurdo, o meu movimento em descompasso apaixonada por Anderson.
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