Arquivo de janeiro \21\UTC 2011

Essência

Eu estava certa quando imaginei que um dia – algumas amizades – só me restariam nas boas memórias do que vivemos.

Tenho desses rompantes vez ou outra.

Não espero aniversário para fazer balanços, observar e questionar o que teria sobrado dos velhos tempos, dos velhos amigos.

Percebendo um passado não distante, afinal eu tenho 30 anos, a verdade é que a maioria se corrompeu, e pior: sem lutar muito.

Seria estupidez da minha parte dizer que permaneço intacta desde que nasci.

Todos mudamos.

Seja de idéias, de companhias, de paradigmas, de crises.

De opinião então… nem se fala!

Porém existe um “quê”, um elemento interior que é aquela luz acesa no fim do túnel.

E é isso que nos distingue uns dos outros.

É a fronteira final da auto-corrupção e do desengano.

Esse elemento ainda observo dentro de mim e é bem difícil mantê-lo.

Principalmente quando contamos com o famoso estímulo/resposta do outro.

Questão de três anos atrás, ou nem isso, em um shopping do Rio de Janeiro, uma amiga me disse:

“Nunca deixe de ser assim do jeito que você é!”.

Senti meio que como uma intimação.

A partir de então percebi que o trabalho que se tem para manter essa essência viva vale cada minuto, cada esforço e cada preocupação.

Eu vendo muito caro minhas convicções e pago um preço bem alto por essa resistência.

Mas tenho motivos de sobra pra sorrir e saber: fiz minha parte no jogo.

Ontem em uma rede social notei o quanto as pessoas jogam no outro o seu conflito interno.

E pior, elas entregam tudo o que são em troca de uma suposição enfadonha e tão vulgar quanto qualquer um que esbarre ao seu lado, sem qualquer distinção de que realmente é.

Não gosto daquele que se recusa a enxergar.

Jamais admiti isso e fico muito triste em ver isso tão próximo.

Mas como diz outro amigo, VIVER DÓI.

É o preço que se paga.

Talvez a ignorância seja mesmo uma benção.

Ou não.

Quem saberá?

É possível que não seja mais o momento de esperar, de sentir diferente, melhor e mais conectada a uma realidade sã e indulgente.

Ser indiferente?

Crescer também DÓI.

Quando se cresce, deixa-se de lado uma porção de coisas boas.

Entre elas um humor mais saudável e receptivo, que cede lugar à massificacão.

E massificar é banalizar a essência, talvez até nem dar conhecimento a ela.

Taí, é isso que me emputece.

As pessoas perdem isso diariamente.

 A quem interessar possa, eu sugiro:

VAMOS restabelecer o que não se tem.
VAMOS recriar o que não se cria.
VAMOS valorizar o que não é palpável.

Entremos de cabeça nessa nova jogada.

Esse é o meu desafio.

Quem sabe um dia, eu consiga rever os pisca-piscas de hoje com minha alma de anteontem.

Caso contrário, contente-se a máxima: “…abdicar de alguns sonhos tolos em troca de calma cotidiana, pode ser um grande negócio!”

 

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Miragem – Fabrício Carpinejar

Pintar cabelo é um manifesto feminino.

O equivalente ao serviço militar obrigatório.

Depois de dezoito anos, é mais do que um experimento, é mudar de vida.
Pode sinalizar uma separação, um novo namorado, último recurso para adiar uma dieta, desistência da terapia.
Serve também para desafiar as mechas maternas.
Tanto que a menina desmama quando pinta os cabelos.
Um contra-ataque ao coque e trança, artesanatos de postura impostos dentro de casa para ir à escola e festas.
Uma revolta ao regime tirânico do laquê, mousse, cera e gel, que obrigava o rosto a permanecer imóvel.
Corresponde a mais importante desobediência doméstica.
É quando a moça se desarma, se ama e assume a sexualidade de sua brincadeira.
Superior ao signo e ao histórico escolar, a mulher entende que é pelo cabelo que se apresenta ao mundo.
É pelo cabelo que ditará seu perfil, provará que é dramática, romântica, tímida, expansiva, agressiva, esportiva.
Com a bolsa e as sobrancelhas, forma a sagrada trindade da personalidade.
A idealização do marido não alcança a idealização cromática dos fios.
Ela delira com um cabeleira de bordas, redonda, macia, desembaraçada, lustrosa.
Aquela espontaneidade onde não se enxerga o fim.
Uma cabeleira infinita.
Dobrando o oceano dos ombros.
Vibrante.
Mas é quase impossível concretizar a metamorfose.
 Por mais que cada uma siga as instruções da bula.
É como imitar as pinceladas de Van Gogh.
Como imitar as formas sensuais das banhistas de Monet.
Como imitar os movimentos de tons da ciranda de Matisse.
Pintar os cabelos será a primeira traição que o mulherio enfrenta.
A dureza já encontra seu auge no início.
Nem toda mulher quer ser loira, mas toda mulher precisa ser loira.
É um pedágio para encontrar a coloração do sonho.
Se ousar partir do matiz original para repetir as caixinhas, o espelho quebra.
Obrigatório clarear para diminuir o desastre.
Na ambição de ser ruiva, uma morena descobrirá o vermelho beterraba, longe do brilho e da intensidade da embalagem.
Terá na cabeça um incêndio apagado, sem labaredas, terra devastada, cinzas e fuligem.
Só com muita generosidade para chamar aquilo de ruivo, é o mesmo que confundir espinhas com sardas.
Muçulmanas, católicas, evangélicas, luteranas, taoístas, batistas…
Não há religião que salve.
O milagre nunca acontece conforme rezado.
Tingindo de amarelo verão, na ânsia de reproduzir os ares praianos de surfista e aventureira, o máximo que conseguirá é cabelo palha de inverno.
A decepção não tem fundo.
São quarenta minutos de expectativa frustrada.
Cereja terminará marrom.
Após cinco lavagens, torna-se água suja.
O preto azulado — que ninguém avisa — dependeria de licitação da Secretaria de Obras.
É, essencialmente, piche.
Para tirar, apenas cortando.
Conhecerá a maldição de fadas.
 A dissolução do castelo.
Ao adormecer como Marilyn Monroe e seu fulgurante platinado, acordará como Cicciolina em fim de carreira.

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Foda-se a Natureza – Tati Bernardi

 

Ontem foi aniversário de uma tia e uma daquelas poucas datas que juntam a família inteira.

Todo mundo vendo quem engordou, quem emagreceu, quem trocou de carro e quem teve a cara de pau de trazer doce comprado ao invés de fazer.

Eu pra variar fui solteira e tive que, pela milésima vez, explicar a todos que não, não estou interessada em conhecer o Tonhão, primo do amigo do filho do outro casamento do meu tio, ou qualquer coisa do tipo.

E sim, tô guardando dinheiro, mas é pra comprar calcinhas Verve e maquiagens MAC e não pra congelar os óvulos.

Costumo não suportar muito esses tipos de festa (ou qualquer tipo) até que lembro que sou escritora e fico feliz.

Sempre me pego pensando em 897 temas para textos maldosos.

Acabo não escrevendo nada, ou quase nada, de medo de magoar mamy.

Se bem que dessa vez ela bem que merecia: me fez vestir uma roupa dourada dos pés à cabeça com sapato dourado, bolsa dourada, pulseiras e brincos e corrente dourados, um aplique dourado no decote (e eu usei tudo isso porque adoro ser o personagem principal do texto maldoso que vou escrever depois).

Mas nada disso é o que tô querendo contar.

Foi só pra armar o cenário.

Tô querendo aqui é falar de Ana Beatriz, a namorada meiga e graciosa de meu primo.

Aninha chegou adiantada, quieta e com cachinhos presos por grampos.

Só os soltaria na hora da festa.

Meu primo foi antes para ajudar na organização da festa e ela, boa companheira, ofereceu ajuda nas tarefas mais femininas como separar docinhos ou opinar em cores de toalhas.

Sem se dar intimamente com as outras mulheres da família, até porque com tanta candura e doçura fica difícil ser muito íntima das
minhas tias e primas passionais e que só sabem se expressar em CAPS LOCK.

Aninha seguia sorrindo e não reclamando.

Meu primo, suado, ia colocar a roupa da festa direto no corpo, foi quando Aninha, temendo mais essa verdade do que a Deus, cochichou em seu ouvido, num ato de ousadia “você não está muito cheiroso”.

E ele tomou banho, mas antes deixou claro “é porque meu pai pediu a todos os filhos pra ficar limpo”.

Com a festa já começada, Aninha se sentou à mesa e, diferente de todos (e aqui me incluo) foi a única que não atacava tal qual um cão
sarnento as bandejinhas de salgados que já chegavam pela metade até nós.

Aninha seguia dando exemplos de como deve se comportar uma moça que quer casar e, ainda que meu primo tenha apenas 20 anos, certamente ele a considerava assim para um futuro distante.

Ia tudo muito bem até que uma garota muito diferente de Aninha chegou na festa.

Loira, alta, gostosa e safada, a loira encarnou no meu primo que, mesmo fazendo de tudo para não demonstrar seu ânimo, não dispensou a oferta de olhares devolvendo alguns.

Aninha, como toda moça que ama muito, sentiu no ar a podridão.

Meu primo, como todo homem, fez Aninha pensar que estava ficando louca e inventando tudo aquilo.

Aninha, que estava há mais de seis horas apenas tentando ser perfeita, desabou mas evitou chorar na frente de todo mundo e, de cabeça baixa e mãozinhas fechadas de ódio, foi ao banheiro mais próximo e se entregou a um rio sem fim de lágrimas.

A família inteira, de tio machista a tia metida a modernete, esbravejou contra Aninha: onde já seu viu armar essa palhaçada!

Onde já se viu estragar a festa por causa de uma besteira!

Homem olha mesmo, homem não presta, uma mulher precisa ser superior a tudo isso!

Uma mulher precisa ser equilibrada e mulher só casa se e bláblábláblá.

Eu apenas me levantei, peguei um brigadeiro de colher, e fui ao encontro de Aninha no banheiro.

A abracei e chorei junto com ela.

Mais de onze anos nos separavam mas naquele momento, éramos apenas duas mulheres que sofriam de amor.

Ela pelo meu primo e eu por tantos outros que ficaram pra trás.

Ela ainda não tinha aprendido a virar uma escrota maluca e largar o cara falando sozinho na festa, ela ainda tinha a bondade de ir chorar no banheiro e esperar que a vida pudesse voltar a ficar bonita depois da descarga cheia de papel higiênico com ranho.

Eu, infelizmente, já tava mais pra loira safada do que pra Aninha.

Come o brigadeiro, Aninha.

E eu torço, do fundo do meu coração, pra que você consiga virar essa mulher que não enlouquece, que é superior, que entende a natureza, que aceita que os homens flertam mesmo, procuram mesmo, não conseguem mesmo, mas que, aos poucos, talvez, você
consiga acalmá-lo, casar, ter filhos e que, talvez, sei lá, você possa aceitar essa natureza nojenta, o mundo como ele é.

Você vai ser mais feliz do que eu, querida, até porque, com tanta doçura e meiguice e feminilidade, o mundo te aceita melhor.

Você pode.

Não chore.

Você pode.

Eu nunca consegui, nunca, eu quero que a natureza se foda.

Eu peguei meu casado dourado e fui embora.

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A Dinâmica da Rotina – By Marcel

Na fila do caixa rápido do supermercado (que é tudo menos rápido), sempre tem aquelas gôndolas com as revistas da semana.

E entre diversas Contigo, Quem, Onde, Quando, Caras, Bundas e afins, há matérias voltadas para a auto-ajuda focada em homens e mulheres com menos auto-estima que um ornitorrinco.

Dietas milagrosas, cabelo liso num passe de mágica, abdômen do Rambo em 1 semana, ereção de 36h e simpatias para conquistar alguém sempre estão na capa dessas publicações, junto com outro aspecto que considero bem mais relevante: a rotina no relacionamento.

Vou contar um segredo pra todos vocês, mas não espalhem senão essas revistas deixam de ser publicadas (ou melhor, espalhem).

Não querer rotina no relacionamento é proporcional a comer feijoada e não morrer de sono depois, a comer pimenta que não arde, a cerveja sem álcool, a pegar jacaré sem tomar caldo.

Se você quiser ter um relacionamento que dure mais do que um Mentos na Coca-Light, pode se preparar para cair na rotina.

Aquele apetite sexual de um cara que passou 20 anos na solitária, ou a vontade louca de que o tempo pare serão lentamente substituídos por uma inércia quase irreversível.

As saídas, assim como o sexo irão ficar bem mais raros.

Óbvio que isso não é uma regra nem quero dizer que o sexo ficará burocrático ou sem graça.

As surpresas como jantares secretos ou buquês de flores se transformarão em surpresinhas bem menos agradáveis como descobrir que a amada ronca ou que o bonitão adora deixar uma cueca freada no banheiro ou a toalha molhada em cima da cama.

Portanto, minha gente, querer dissociar a rotina de um relacionamento é querer dividir um átomo com uma faca Guinzu.

O segredo é saber aproveitar as benesses que uma boa rotina com alguém que amamos pode proporcionar.

Basta aprender a apreciar a beleza que assistir a novela juntos tem, uma conversa demorada depois do sexo que se torna muito melhor com a intimidade que só vem com o tempo.

Tardes juntos assistindo a um filme, passeios pelo shopping para olhar vitrines ou simplesmente fazer planos para o futuro (que chega bem depressa).

É dizer que odeia o big brother e apostar um com o outro sobre quem vai ganhar, é ficar deitados zapeando canais, é sentir desejo pela mulher mesmo que ela não esteja com as pernas lisinhas e com a depilação em dia e achá-la linda do mesmo jeito, é ser apaixonada pelo cara mesmo com aquela cueca furada e bermuda mostrando o cofrinho cabeludo.

É curtir um jantar a dois, seja saindo para um restaurante chique ou pedindo pizza em casa.

É marcar uma saída e desistir porque tá frio e ficar juntinho embaixo da coberta.

Eu particularmente adoro a rotina.

Ela me trás momentos de prazer e alegria que as futilidades de um relacionamento vazio e alegria passageira de uma cerveja ou a falsa sensação de liberdade da total independência jamais trarão.

Eu se fosse vocês, experimentaria.

 

Fonte: http://www.cademeudorflex.com/2011/01/dinamica-da-rotina.html

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Simplesmente SER

Eu tenho cada vez mais menos respostas, mas também tenho cada vez mais menos perguntas.
Disso eu não duvido mais: tenho cada vez menos certezas.
Quanto mais o tempo passa, eu fico menos à vontade para alimentar dores e com muito mais preguiça de sofrer.
Quanto mais o tempo passa, menos faço por onde adiantar a morte, mais tento fazer por onde aproximar a vida.
Os fios grisalhos da cabeleira também menina da minha alma dizem um viço que acende a vontade dos encantamentos de verdade.
De verdade, entenda, é quando o encantamento realmente faz a gente sorrir.
Coisas que já me importaram à beça já não me importam nem um pouco, enquanto aquilo que essencialmente sempre teve importância me importa, agora, com mais nitidez.
Como deve acontecer com outros tantos aprendizes da coragem, às vezes, cansadíssima das lições e do método pedagógico, eu recordo que a covardia, pelo menos na aparência, é bem mais fácil, bem menos trabalhosa, e, claro, bem mais egoísta, eu já estive lá com muito mais frequência.
Mas aí, justo neste ponto, costuma acontecer algo bem bonito: também recordo de cada flor que veio à tona só porque tive coragem de cuidar da semente.
Só porque não me acovardei, mesmo que tantas vezes com todo medo do mundo.
Para o ano novo, se eu conseguir ser nova, quero o sabor de saber, na prática, que somos feitos para a felicidade.
Para a troca.
Para a paz.
Para a bondade.
Para facilitarmos a existência uns dos outros.
Para a coragem e a alegria de simplesmente ser.
(Ana Jácomo)

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Quer saber o que eu PENSO?

Você agüentaria conhecer minha verdade?
Pois tome.
Prove.
Sinta.
Eu tenho preguiça de quem não comete erros.
Tenho profundo sono de quem prefere o morno.
Eu gosto do risco.
Dos que arriscam.
Tenho admiração nata por quem segue o coração.
Eu acredito nas pessoas livres.
Liberdade de ser.
 Coragem boa de se mostrar.
Dar a cara a tapa!
Ser louca, estranha, linda, chata!
Eu sou assim.
Tenho um milhão de defeitos.
Sou volúvel.
Tenho uma tpm horrivel.
Sou viciada em gente.
Adoro ficar sozinha.
Mas eu vivo para sentir.
Por isso, eu te peço.
Me provoque.
Me beije a boca.
Me desafie.
 Me tire do sério.
Me tire do tédio.
Vire meu mundo do avesso!
 Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir…
Um beliscãozinho que for, me dê.
Eu quero rir até a barriga doer.
Chorar e ficar com cara de sapo.
Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome.
(Meu coração é minha razão. Essa é a lógica que inventei pra mim).

(Fernanda Mello)

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Bem Vindo 2011

Que possamos aproveitar essa oportunidade de viver mais um ano que chegou por aqui.

Sugiro admirar a beleza da vida, saborear a gostosura de viver e tornar nossos sonhos realidade, enfrentando os desafios de frente com dignidade e ética.

Vamos jogar o jogo do viver superando as tristezas que por ventura nos chegue e comemorar cada vitória alcançada.

Vamos cuidar do corpo, comer bem, fazer exercícios, ouvir mais um pouco o outro, abraçar o amigo com toda nossa alegria do reencontro, chorar e sorrir bastante…

Vamos assistir filmes, ler livros, viajar bastante, dormir bastante, ligar pros amigos, sair com os amigos, namorar bastante…

Vamos aproveitar esse mais um ano na nossa vida e chegar no final e falar : “… esse ano durou bastante, vivi muito!”

FELIZ ANO NOVO

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