Essência

Eu estava certa quando imaginei que um dia – algumas amizades – só me restariam nas boas memórias do que vivemos.

Tenho desses rompantes vez ou outra.

Não espero aniversário para fazer balanços, observar e questionar o que teria sobrado dos velhos tempos, dos velhos amigos.

Percebendo um passado não distante, afinal eu tenho 30 anos, a verdade é que a maioria se corrompeu, e pior: sem lutar muito.

Seria estupidez da minha parte dizer que permaneço intacta desde que nasci.

Todos mudamos.

Seja de idéias, de companhias, de paradigmas, de crises.

De opinião então… nem se fala!

Porém existe um “quê”, um elemento interior que é aquela luz acesa no fim do túnel.

E é isso que nos distingue uns dos outros.

É a fronteira final da auto-corrupção e do desengano.

Esse elemento ainda observo dentro de mim e é bem difícil mantê-lo.

Principalmente quando contamos com o famoso estímulo/resposta do outro.

Questão de três anos atrás, ou nem isso, em um shopping do Rio de Janeiro, uma amiga me disse:

“Nunca deixe de ser assim do jeito que você é!”.

Senti meio que como uma intimação.

A partir de então percebi que o trabalho que se tem para manter essa essência viva vale cada minuto, cada esforço e cada preocupação.

Eu vendo muito caro minhas convicções e pago um preço bem alto por essa resistência.

Mas tenho motivos de sobra pra sorrir e saber: fiz minha parte no jogo.

Ontem em uma rede social notei o quanto as pessoas jogam no outro o seu conflito interno.

E pior, elas entregam tudo o que são em troca de uma suposição enfadonha e tão vulgar quanto qualquer um que esbarre ao seu lado, sem qualquer distinção de que realmente é.

Não gosto daquele que se recusa a enxergar.

Jamais admiti isso e fico muito triste em ver isso tão próximo.

Mas como diz outro amigo, VIVER DÓI.

É o preço que se paga.

Talvez a ignorância seja mesmo uma benção.

Ou não.

Quem saberá?

É possível que não seja mais o momento de esperar, de sentir diferente, melhor e mais conectada a uma realidade sã e indulgente.

Ser indiferente?

Crescer também DÓI.

Quando se cresce, deixa-se de lado uma porção de coisas boas.

Entre elas um humor mais saudável e receptivo, que cede lugar à massificacão.

E massificar é banalizar a essência, talvez até nem dar conhecimento a ela.

Taí, é isso que me emputece.

As pessoas perdem isso diariamente.

 A quem interessar possa, eu sugiro:

VAMOS restabelecer o que não se tem.
VAMOS recriar o que não se cria.
VAMOS valorizar o que não é palpável.

Entremos de cabeça nessa nova jogada.

Esse é o meu desafio.

Quem sabe um dia, eu consiga rever os pisca-piscas de hoje com minha alma de anteontem.

Caso contrário, contente-se a máxima: “…abdicar de alguns sonhos tolos em troca de calma cotidiana, pode ser um grande negócio!”

 

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  1. #1 por Luciana em 21 de janeiro de 2011 - 12:22

    Lindo!!!
    Sabe que sempre compartilhei dessa idéia que crescer dói… por isso que por dentro sou uma eterna criança, que acredita demais nas pessoas, e como consequencia acaba se machucando muito…
    Mas não vou deixar de ser assim… essa sou eu… rs
    Beijão lindona!

  2. #2 por Fabiana Maia em 21 de janeiro de 2011 - 13:29

    Anna,
    Linda a mensagem!!! Como sempre escrevendo textos maravilhosos!!!

    Parabéns pelo texto!

    Beijos,

    Fabi

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