Arquivo de julho \27\UTC 2011

O Susto Catalisador – Por André Foresti

A vida dos seres humanos é condicionada aos próximos passos.
Não estudei a origem disso, mas os bichos não tem uma condição como propulsor da vida. Eles acordam, comem, correm por ai, procriam por instinto e se preocupam em manter-se vivos até o dia de amanhã. E só.

O ser humano funciona por objetivos que ele mesmo cria (ou a sociedade).
Perder peso. Trocar de emprego. Ter uma casa própria.
Carro do ano. Visitar a Europa. Arrumar namorada.
E outras infinitas possibilidades.
Se por um lado isso nos move, por outro acaba nos amarrando e causando a sensação de rotina e tempo perdido.

Mais um ano vai passar, o que você fez?
Valorizamos coisas condicionadas e muitas vezes esquecemos que a felicidade realmente está nos detalhes. Nas emoções de cada dia.

Fiz um trabalho sobre “universo 4×4” e o maior insight foi que o legal não era cruzar a linha de chegada, e sim colocar o carro no maior número de emboscadas e buracos possíveis. Viver aquilo.
Não existe um fim, existe o caminho.

Normalmente o ser humano se dá conta disso quando passa por um susto. Sustos como a perda de um amigo/parente querido, um revés profissional ou um fim de casamento fazem a gente acordar para a vida. Sempre há tempo.

Já que o Planejamento procura constantemente o seu papel, pensei em colocarmos no nosso job description o papel de sermos o tal “susto catalisador” dentro de um job, uma agencia e uma marca.
Pode ser interessante. Nunca é tarde para começar uma nova atitude.
Ou pelo menos uma nova visão de como as coisas já são.

Para completar esse assunto, acho incrível o depoimento de Ric Elias ao TED.

 http://www.youtube.com/watch?v=iCVhUvQft-s&feature=player_embedded

 Tem tudo a ver com uma experiência que te faz ver o quanto rasos são os seus condicionamentos e maneira como encara sua vida.

Fonte: http://www.chmkt.com.br/2011/07/o-susto-catalisador.html

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INVEJA é uma confissão de inferioridade!

 

Porque é tão difícil lidar com a felicidade alheia?

É só eu surgir empolgada com alguma notícia bacana, que vem um punhado de gente com energia ruim.

Ando cada vez mais convencida que a felicidade (e não falo apenas da minha) incomoda.

O mais engraçado é que não precisa ser um plano concreto, basta que eu mencione uma banalidade divertida e os agouradores de plantão ativam o mecanismo que despeja instantaneamente a água fria, anunciando os contras, os contras e os contras.

No final, fico me sentindo o Curupira, com os pés virados pra trás, travados de medo.

Portanto eu irei criar uma campanha: Para cada pensamento negativo que os “meus amigos” evitarem em reação a uma palavra minha, ganharão uma bala.

E não precisa torcer, não precisa achar lindo o que eu vou continuar falando, escrevendo e talz.

Vocês – “esses amigos” – só precisarão pensar em outra coisa, fingir que não me leram ou escutaram.

E embora a mediocridade não tenha cura, por favor, saiam pra lá e aproveitem para adoçarem suas respectivas bocas.

(Pé de pato bangalô três vezes!)

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A chegada de um anjo chamado: Catarina ♥

Hoje eu acordei com a mensagem da Julia dizendo que a bolsa tinha estourado e que ela estava indo para o hospital.

Daí em diante fiquei (+) louca e não parei de repetir: Anderson acorda, a Catarina tá chegando, vamos correr para o hospital, vamos amor é a nossa neném.

Anderson que só pensava em dormir mais cinco minutos tentava me intreter com a pergunta: “Ana, me fale como vc imagina que ela vai ser?”

Como ele viu que não tinha jeito, pois eu já estava (também) em trabalho de parto, acordou e foi tomar banho.

Falei com a Juju enquanto isso e, ao perceber que ela entrou no “sistema” de contrações e exercícios para o parto (o que significa que a Catarina pode nascer somente daqui, poucas ou muitas, horas), foi que eu consegui baixar a MINHA ansiedade.

Em compensação, já chorei horrores só de imaginar o rostinho da nossa pequena.

Ah, semana passada eu sonhei que ela tinha os olhos azuis como os do pai, a pele branquinha como a da mãe e os cabelos cacheados e castanhos, será?

(No meu sonho ela tinha o tamanho de um bebê de uns 8 meses, rs!)

Enfim, hoje eu só desejo que a Julia tenha um bom parto, que seja tudo o mais calmo possível (pq não consigo imaginar ser tranquilo sentir dor de parto) e que a nossa filhota venha com muita, muita saúde!

A tia aqui está super feliz e já AMA MUITO você, Catarina.

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O legado de Ana Luiza – Por Ismael Benigno

Domingo à tarde, quando chegava à funerária Almir Neves para o velório da Aninha, pude ouvir calorosos aplausos lá em cima, enquanto subia as escadas.

Perguntei a alguém o que tinha ocorrido, e um amigo contou que a Carol, mãe da Ana, tinha acabado de falar. Agradecia as orações de todos, conhecidos e desconhecidos, e aproveitava pra chamar a atenção de todos para o problema alheio.

De todas as lições que tirei da história da Ana, a solidariedade talvez tenha sido a maior. A solidariedade de gente do país inteiro, orando pela saúde de uma pequena desconhecida, mas também a solidariedade dos pais da Ana, Carol e Marcos, que mergulhados no maior dos dramas de um pai, conseguiam pensar em ajudar os outros.

No dia 26 de maio passado, numa das poucas conversas que tive com a Carol durante o tratamento, pela internet, ela me contou de várias outras famílias que conheceu em São Paulo. Crianças, pais, tios, irmãos, todos arrastados pelo câncer à capital paulista, onde tinham mais chances de tratamento e cura. Foi assim com a Ana, foi assim com dezenas de outros meninos e meninas, e é assim que vai continuar sendo.

Nos preparávamos, eu e a Carol, para tentar contar algumas dessas histórias. Ainda não sabíamos onde, se num blog, num livro, numa revista ou num jornal. Até junho passado, a contagem regressiva era primeiro pela volta deles a Manaus, com a Aninha salva. Depois que parentes e amigos fossem ao aeroporto recebê-los em festa, comecaríamos a conversar sobre os pequenos amazonenses que, em São Paulo, não tiveram a chance da Ana, de terem sua história divulgada e de contar com a torcida de tanta gente ao redor do país. Carol me contava que ela e o Marcos começavam a pensar numa forma real, prática de começar a debater o tema e propor soluções.

Brinquei com a Carol sobre ser seu criado. Os ajudaria, a ela e ao Marcos, no que fosse necessário. Com a autorização e a ajuda das famílias, tentaríamos materializar tantas histórias de sofrimento. A intenção da Carol era a de sensibilizar autoridades, mas mais importante, a sociedade amazonense, para a necessidade de um centro de referência em tratamento de câncer, aqui mesmo em Manaus.

Quis o destino que, uma semana depois daquela conversa, a doença da Ana tivesse voltado. E que domingo, um mês e um dia depois da notícia, seus amigos estivessem diante daquela porta de desembarque no aeroporto Eduardo Gomes, esperando para chorar a sua morte e abraçar seus pais.

Concordávamos que não fazia sentido que uma das cidades mais ricas do país não conseguisse fazer exames médios ou que não tivesse uma UTI pediátrica em seu hospital especializado, e que nossos pacientes precisassem esperar semanas para ter o resultado de um exame. Não é necessário dizer que no tratamento do câncer a diferença entre vida e morte quase sempre é contada em dias.

A Aninha foi enterrada anteontem, ainda é tudo muito dolorido para todos. Se eles tivessem voltado pra Manaus com ela saudável, ainda estaríamos festejando um milagre, e toda a festa do mundo não seria suficiente para comemorar sua saúde. Voltaram com ela morta, e não há tempo suficiente que vá curar a saudade. É muito cedo pra tudo.

Mas com as palavras da Carol e do Marcos diante do caixão da Aninha, eu soube que, mais do que nunca, eles desejam que o maior legado da filha, a solidariedade, ajude outras crianças a serem mais apoiadas, tanto pelos governos quanto pela sociedade.

Honestamente, depois dos últimos dez meses, não vou me importar em ser acusado de estar “politizando” a história da Ana. Outra das lições daquela menina foi a noção de perspectiva que ela me ensinou, mesmo sem querer. Com a dimensão da sua história, perdi vários medos e sublimei vários “problemas”, que depois da história dela, viraram bobagens pessoais minhas. Sei que isso ocorreu com muita gente.

Mais do que a mobilização inédita criada em São Paulo pela doação de sangue em pleno carnaval, a vida e a morte da Ana precisam ser relidas de todas as formas possíveis, como uma homenagem. O drama dela e de seus pais foi o drama de uma família que podia pagar um plano particular de saúde, que tinha familiares em São Paulo que pudessem hospedá-los, que recebeu ajuda de conhecidos e desconhecidos. Carol e Marcos têm amigos advogados, médicos e funcionários públicos. De alguma forma, sempre que precisaram, alguém tentou ajudá-los.

Essa é a exceção, e não a regra. Não é hora de começar a luta para que os amazonenses tenham melhor estrutura de tratamento do câncer. Agora é hora de chorar, sentir saudade, prestar homenagens à Aninha e apoiar sua família. Mesmo que a própria Carol já tenha “politizado” sua história, diante do corpo da própria filha, nunca estaremos inteiramente preparados para debater o aspecto público, do acompanhamento e do tratamento destes doentes, sem sermos acusados de tentar macular o governante X ou o secretário Y.

Pra mim, no entanto, a história da Ana é muito maior do que as críticas que se possa fazer ao sistema de saúde amazonense. Como também é muito maior do que a defesa automática que pessoas ligadas aos governos venham a fazer, desde cedo pedindo que não se leve a história da Ana para o lado do governo.

Não, essa história não é a da Ana. Essa é a história do pequeno Huascar, de 3 anos, que há dois anos atrás tinha apenas um mês de vida, e que hoje continua seu tratamento em São Paulo. É a história da Beatriz, de 14 anos, mesatenista que descobriu um câncer no fêmur e ficou à base de morfina, até conseguir se mudar pra São Paulo. Essa é a história de João Bosco, de 29 anos, pai de uma menina de 6 anos, que descobriu o pior tipo de leucemia e até hoje faz tratamento em São Paulo, pagando remédios de 9 mil reais, e que só poderá deixar o hospital depois de pagar a dívida.

Faz parte da herança da Ana que tomemos conhecimento dessas histórias, não porque gostamos ou não do governo. É preciso que deixemos nosso pirão diário de lado, nem tudo gira ao redor da nossa missão diária de defender ou atacar quem banca o nosso almoço. Enquanto deixamos que crianças doentes dependam do Dia Feliz de uma rede de fast-food, enquanto esperamos que meninos e meninas ganhem latas de leite como caridade de órgãos públicos, mais crianças, jovens, adultos e velhos vão continuar essa via crucis atrás de tratamentos — que temos dinheiro pra ter aqui.

É essa a solidariedade que a história da Ana deixou evidente. A solidariedade que uniu milhares de pessoas no Brasil inteiro, em oração, pela saúde dela. Com sua morte, ficamos aqui embaixo com a saudade, a tristeza, mas também com dezenas, talvez centenas de Anas à espera de ajuda.

Os exemplos que dei acima não são de pessoas pobres. Huascar é filho de uma funcionária da FCECON, Beatriz é aluna do Adalberto Vale, filha de uma professora e de um autônomo. Ana Luiza deixou uma família linda, feliz, estruturada, que podia pagar um plano de saúde e tinha muitos amigos.

Muitos outros não têm nada disso. Há várias instituições em Manaus que recebem pessoas vindas do interior, sem qualquer assistência. Pessoas que esperam 15 dias pelo resultado de uma biópsia, que sofrem queimaduras porque os aparelhos de radioterapia no Amazonas são antigos. Pessoas que não sabem, muitas vezes, a gravidade da doença que têm. Muitas morrem sem saber das chances que poderiam ter se nossa estrutura fosse melhor.

O câncer não muda, é doença grave em quem pode e em quem não pode se tratar. Você pode tomar conhecimento dessas histórias e se ofender, achar que eu as uso pra criticar quem quer que seja. Você, que quer criticar, pode achar que eu estou fazendo discurso político e quer fazer côro comigo. Nada disso muda a realidade, e a realidade é que essas pessoas existem.

Eu queria muito que a Aninha ainda estivesse aqui conosco. Sei que, assim que pudesse, ela e os pais iam tentar ajudar o Amazonas a tratar melhor as pessoas que precisam de ajuda contra o câncer.

Mas a Aninha morreu. Nós, que a amávamos e cujas vidas foram tocadas pela vida dela, ficamos aqui. Há muito o que pode ser feito para outras pessoas que sofrem com essa doença.

Naquela conversa do dia 26 de maio, enquanto criava coragem para empunhar a bandeira dos pacientes de câncer no estado, a Carol me reapresentou a um texto antigo, que eu já não lembrava mais, e que naqueles dias a ajudava a pensar mais seriamente no assunto. Era sobre os julgamentos e as possíveis críticas que ela e o Marcos receberiam, por se meterem num mundo tão cheio de verdadeiros sacerdotes a serviço do bem público, a Política:

As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.

Ame-as MESMO ASSIM.

Se você tem sucesso em suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.

Tenha sucesso MESMO ASSIM.

O bem que você faz será esquecido amanhã.

Faça o bem MESMO ASSIM.

A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.

Seja honesto MESMO ASSIM.

Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro.

Construa MESMO ASSIM.

Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.

Ajude-os MESMO ASSIM.

Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar.

Dê o que você tem de melhor MESMO ASSIM.

Veja que, no final das contas, é entre você e Deus.

Nunca foi entre você e as outras pessoas.

(Madre Tereza de Calcutá)

Há dias eu choro, todos choramos.

Mas ainda há choros que podemos ajudar a enxugar.

A Carol e Marcos são meus faróis sobre a história da vida e da morte da Aninha.

Mudou tudo. Mas no que eles precisarem, eu vou me dispor a ajudar.

Era isso.

Fonte: http://blogs.d24am.com/omalfazejo/2011/07/12/o-legado-de-ana-luiza/

 Para conhecer um pouco mais sobre a história da pequena Ana Luiza, visite o blog da sua mãe, Carol:

http://vidanormal.blogspot.com/

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