” Há sentimentos que não sabemos explicar, apenas sentimos… “

Chove muito, mas podia nevar…

Seria tão bonito!

E eu me lembraria de Maiacovski, para terminar a noite olhando pela janela o mundo inteiro ali embaixo:

“Derrama o riso em todos os olhos! Derrama alegria em todos os corpos!

Que ninguém possa esquecer essa noite.

Nunca fui medrosa, e depois do meu encontro com a psicanálise me tornei mais corajosa ainda.

Imaginar a coragem do velhinho que mudou a história do Ocidente, me faz não ter medo de nada quase.

Freud tinha consciência do caráter espinhoso da psicanálise, e certa vez, assim se manifestou a respeito:

“O silêncio com que minhas conferências foram recebidas, o vácuo que se formou em torno de mim, as insinuações que me foram dirigidas, pouco a pouco, fizeram com que me desse conta de que as as afirmações sobre o papel da sexualidade na etiologia das neuroses não podem contar com a mesma acolhida, que se tem com outras contribuições. E compreendi isso, de uma vez por todas, que eu fazia parte daqueles que haviam ” atrapalhado o sono do mundo” e não podia contar com o entendimento e a tolerância de ninguém. “

Freud foi acusado de místico e irracional, porque levou a sério fenômenos que a ciência desprezou: os sonhos, lapsos, atos falhos, chistes.

Retirou seu olhar das obviedades todas e se aventurou.

E o mais bonito desse ato heróico é que toda a sua teoria e prática tem por alicerce a consideração do sujeito humano e sua subjetividade.

Há poucos dias, um conhecido “acusou” Freud de fantástico e eu muito brava, defendi:

“Ora, não há como trabalhar o sujeito sem incluir o seu fantasma, que invariavelmente indica sua relação com seu gozo. Há desse modo, um erro de avaliação: o fantástico não está na teoria, mas no objeto da psicanálise. Desse modo, somos todos fantásticos, e estamos bem longe dos gráficos e estáticas…”

A situação da psicanálise é mesmo sui generis, pois enquanto teoria do sujeito, torna- se teoria do particular; e diante da singularidade do sujeito, não há validação estatística e científica possível.

Depois de Freud, Lacan, outra figura combatente e corajosa, disse que a psicanálise nos possilita fazer as pazes com aquilo que nos é mais estranho. Nunca vi nada mais coerente nesse mundo, pois o sintoma é aquilo que possuimos de mais particular.

Num final de análise, colocamos um acento nessa singularidade e nos lançamos nesse mundão mais corajosos ainda…

(assim espero e acredito!)

Por isso tudo eu posso dizer: Tenho coragem para viver!

Anúncios
  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: